A indústria do álcool pode estar à frente da prevenção?

17 de agosto de 20263min42
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Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, a psicóloga e doutora pela Unifesp Ilana Pinsky questiona a participação da indústria do álcool em políticas públicas destinadas à prevenção do consumo nocivo.

A discussão ganhou destaque com iniciativas como o Modera SP e o Modera Brasil, que utilizam estratégias de triagem, intervenção breve e encaminhamento para tratamento. Embora essa abordagem seja reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Ilana destaca que isso não significa recomendar a participação da indústria na formulação ou implementação dessas políticas.

Para a autora, existe um conflito de interesses: enquanto os governos têm como objetivo reduzir os danos relacionados ao álcool, a indústria possui interesses comerciais ligados à venda de seus produtos. Parcerias com o setor podem, portanto, influenciar prioridades, enfraquecer políticas mais efetivas e ainda contribuir para melhorar a imagem institucional das empresas.

Ilana também chama atenção para a transparência no uso de dados pessoais e informações sobre o consumo de álcool coletados por plataformas digitais. Quem acessa esses dados, onde são armazenados e qual é o papel das empresas envolvidas são questões que precisam estar claramente definidas.

O ponto central, segundo a autora, é garantir que as políticas de saúde pública sejam formuladas com independência, transparência e base em evidências, sem que interesses comerciais interfiram nas estratégias destinadas a reduzir os danos associados ao álcool.

 

Imagem Folha: Mensagem em paróquia na zona leste de São Paulo onde são realizados encontros de grupo de Alcoólicos Anônimos – Jardiel Carvalho – 25.ago.23/Folhapress


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra, com o objetivo inicial de oferecer atendimento a funcionários com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Esse trabalho marcou o início de uma trajetória voltada à assistência, à pesquisa e à formação de profissionais na área da dependência química.



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