A indústria do álcool pode estar à frente da prevenção?

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, a psicóloga e doutora pela Unifesp Ilana Pinsky questiona a participação da indústria do álcool em políticas públicas destinadas à prevenção do consumo nocivo.
A discussão ganhou destaque com iniciativas como o Modera SP e o Modera Brasil, que utilizam estratégias de triagem, intervenção breve e encaminhamento para tratamento. Embora essa abordagem seja reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Ilana destaca que isso não significa recomendar a participação da indústria na formulação ou implementação dessas políticas.
Para a autora, existe um conflito de interesses: enquanto os governos têm como objetivo reduzir os danos relacionados ao álcool, a indústria possui interesses comerciais ligados à venda de seus produtos. Parcerias com o setor podem, portanto, influenciar prioridades, enfraquecer políticas mais efetivas e ainda contribuir para melhorar a imagem institucional das empresas.
Ilana também chama atenção para a transparência no uso de dados pessoais e informações sobre o consumo de álcool coletados por plataformas digitais. Quem acessa esses dados, onde são armazenados e qual é o papel das empresas envolvidas são questões que precisam estar claramente definidas.
O ponto central, segundo a autora, é garantir que as políticas de saúde pública sejam formuladas com independência, transparência e base em evidências, sem que interesses comerciais interfiram nas estratégias destinadas a reduzir os danos associados ao álcool.
Imagem Folha: Mensagem em paróquia na zona leste de São Paulo onde são realizados encontros de grupo de Alcoólicos Anônimos – Jardiel Carvalho – 25.ago.23/Folhapress
