Relatório Mundial sobre Drogas 2026 (UNODC)

1 de julho de 20264min115
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O Relatório Mundial sobre Drogas 2026, divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), alerta para uma transformação no mercado global de drogas, marcada pelo uso de novas tecnologias, surgimento de novas substâncias e expansão das redes de tráfico para novos territórios.

Em 2024, cerca de 331 milhões de pessoas (6,2% da população mundial entre 15 e 64 anos) consumiram alguma droga, um aumento em relação a 2014 (5,2%). A cannabis permanece como a droga mais consumida, seguida pelos opioides, anfetaminas, cocaína e ecstasy.

Um dos principais destaques do relatório é o crescimento das novas substâncias psicoativas (NSP). Os traficantes têm desenvolvido drogas sintéticas para contornar controles legais, e em 2024 foram identificadas 755 novas substâncias psicoativas, sendo 118 registradas pela primeira vez. Muitas apresentam maior potência e risco de danos à saúde.

O mercado de opioides passa por uma mudança importante: com a redução da produção de ópio no Afeganistão, cresce a preocupação com a substituição da heroína por opioides sintéticos, como fentanis e nitazenos, que podem aumentar os riscos de intoxicação, dependência e mortes por overdose.

A metanfetamina também apresentou expansão global, com aumento do tráfico e da produção, atingindo novos mercados na Ásia, Oriente Médio, África e Europa. O crescimento das rotas internacionais mostra uma maior capacidade de adaptação das organizações criminosas.

Em relação à cannabis, o relatório aponta aumento de 40% no número de usuários na última década. Mudanças nas políticas de legalização e descriminalização em algumas regiões influenciaram a percepção sobre a droga, os padrões de consumo e as rotas de tráfico.

A produção de cocaína atingiu níveis históricos, ultrapassando 4.000 toneladas em 2024, mais do que quadruplicou em dez anos. Grupos criminosos têm ampliado a distribuição para mercados tradicionais e novos territórios, incluindo regiões da África e Ásia.

O relatório também destaca que o consumo de drogas está relacionado a desafios sociais e de saúde, podendo envolver violência, crimes, vulnerabilidades econômicas, problemas de saúde mental e dificuldade de acesso ao tratamento. O UNODC reforça a necessidade de ações integradas de prevenção, tratamento, redução de danos e combate ao crime organizado.

O cenário mundial das drogas está se tornando mais complexo, com maior diversidade de substâncias, expansão do tráfico e aumento dos riscos associados principalmente às drogas sintéticas mais potentes.

Relatório completo: https://www.unodc.org/unodc/en/press/releases/2026/June/unodc-world-drug-report-2026_-global-drug-markets-transforming-rapidly-as-technology–novel-drug-types-and-instability-present-traffickers-with-new-opportunities.html

Imagem de Fikret K por Pixabay


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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