Álcool

Celina Pereira e Neliana Buzi Figlie.

O que é dependência de álcool?

  • É uma relação alterada entre a pessoa e o modo de beber que se torna um comportamento que se autoperpetua, uma condição que leva ao longo de um continuum de severidade.
    OMS - 1996
  • Perda da liberdade da escolha entre o beber e o não beber e de escolher quando e onde fazê-lo, criando uma visão de mundo que revela uma mínima preocupação com as regras de contato e de comunicação social.
    Sonenreich
    - 1971

Importância da prevenção do alcoolismo

Levantamento Domiciliar em São Paulo (CEBRID, 2000):

  • Dependência de Álcool: 6,6%
  • Uso na vida de Drogas: 11,6%

Levantamento em Brasília, SP e Porto Alegre (Almeida Fº, 1992):

  • 15% dependentes de álcool

Levantamento entre estudantes (CEBRID,1997):

  • Uso pesado de álcool: 14,6%
  • Uso pesado de drogas: 1% / crescimento da cocaína

Impacto do álcool em vítimas de acidentes de trânsito (DETRAN,1997):

  • 61% presença de álcool no sangue / 27% excedia o limite CNT (0,6g/l)


Uso nocivo de álcool

O uso nocivo de álcool é um padrão de uso de álcool que pode provocar problemas familiares, problemas profissionais (diminuição da função e atividade), acidentes automobilísticos no caso de binge (ingestão compulsiva de álcool levando à embriaguez e/ou intoxicação), doenças infecto-contagiosas devido ao comportamento de risco. Também podem ocorrer problemas decorrentes da pós-intoxicação aguda como cefaléia, ressaca, enjôo, tontura…

Dependência

A dependência engloba um padrão de comportamento aprendido onde se verifica um conjunto de sinais e sintomas que podem variar de intensidade e nem todos precisam estar presentes (para se fazer o diagnóstico de SDA devem ser preenchidos pelo menos 3 critérios básicos para dependência num período de 12 meses). A seguir estão descritos os critérios de dependência:

a. Estreitamento do repertório

Inicialmente, uma pessoa que começa a beber pesadamente pode ampliar seu repertório e a variedade de estímulos que a predispõem a beber. Conforme a dependência avança, os estímulos relacionam-se crescentemente ao alívio ou evitação dos sintomas de abstinência e seu repertório pessoal de beber torna-se cada vez mais restrito.

b. Saliência do beber

Com o avanço da dependência o indivíduo passa a dar prioridade à manutenção da ingestão alcoólica em detrimento de outras atividades que antes considerava de extrema importância. Hábitos anteriormente cultivados deixam de ter importância e a pessoa começa a viver "em função" de beber.

c. Aumento da tolerância ao álcool

A tolerância ocorre quando a pessoa se acostuma com a quantidade de álcool que o satisfazia anteriormente e passa a precisar ingerir mais álcool para ter os mesmos efeitos que tinha anteriormente. É fácil perceber os efeitos da tolerância quando, por exemplo, após usar seguidamente o mesmo medicamento, ele deixa de ter efeito e uma quantidade maior passa a ser necessária para obter aquele efeito inicial.

d. Sintomas de Abstinência

Ocorre com a parada da ingestão de álcool e a diminuição da sua concentração no sangue. Os sintomas mais comuns são tremor, náusea, sudorese, sensibilidade ao som, tinidos no ouvido, coceiras, cãibras musculares, alterações no humor, perturbações no sono, alucinações.

e. Alívio ou evitação dos sintomas de abstinência pelo aumento da ingestão da bebida

A pessoa, nos primeiros estágios de dependência, pode não perceber que o primeiro drinque do dia ajuda-a a sentir-se bem. Na medida que a dependência se torna mais grave, ela começa a beber, inicialmente, para evitar que aqueles sintomas desagradáveis apareçam.

f. Percepção subjetiva da compulsão para beber

A percepção subjetiva da compulsão para beber pode ser percebida em dependentes que "perdem o controle" quando bebem e acabam extrapolando aquilo que inicialmente se propunham. Esta perda de controle, compulsão extrema para beber, pode estar associada também a evitação dos sintomas de abstinência.

g. Reinstalação após a abstinência


Dependendo do nível de dependência, ocorre um fenômeno extremamente intrigante no paciente que interrompeu o seu consumo. Se a sua dependência for grave, ele terá a reinstalação da síndrome, que pode ter levado anos a se desenvolver, em até 72 horas. Por outro lado, no caso de uma dependência moderada ele pode "agüentar" algum tempo, mas, com freqüência tem a reinstalação da síndrome e não consegue beber moderadamente.

Para calcular a quantidade de álcool ingerida em cada bebida e com isso avaliar a gravidade do beber usamos a seguinte orientação:

BEBER DE BAIXO RISCO X USO NOCIVO/DEPENDÊNCIA

Risco

Mulheres

Homens

Baixo

Menos de 1 drinque* por dia

Menos de 2 drinques* por dia

* um drinque equivale a 1 taça de vinho de 150 ml ou 1 lata de cerveja de 350 ml ou 1 dose de
50 ml de destilados


Conheça os efeitos do álcool


Quantidade de álcool por litro de sangue (em gramas)

Efeitos

0,2 a 0,3 g/l - equivalente a um copo de cerveja, um cálice pequeno de vinho, uma dose de uísque ou outra bebida destilada

As funções mentais começam a ficar comprometidas.
A percepção da distância e da velocidade são prejudicadas

0,3 a 0,5 g/l - dois copos de cerveja, um cálice grande de vinho, duas doses de bebidas destiladas

O grau de vigilância diminui, assim como o campo visual. O controle cerebral relaxa, dando sensação de calma e satisfação

0,51 a 0,8 g/l - três ou quatro copos de cerveja, três copos de vinho, três doses de uísque

Reflexos retardados, dificuldades de adaptação da visão a diferenças de luminosidade, superestimação das possibilidades e minimização de riscos e tendência à agressividade

0,8 a 1,5 g/l - a partir dessa taxa, as quantidades são muito grandes e variam de acordo com o metabolismo, com o grau de absorção e com as funções hepáticas de cada indivíduo

Dificuldades de controlar automóveis, incapacidade de concentração e falhas na coordenação neuromuscular

1,5 a 2,0 g/l

Embriaguez, torpor alcoólico, dupla visão

2,0 a 5,0 g/l

Embriaguez profunda

5,0 g/l

Coma alcoólica

Tomando-se por base a ingestão de álcool por um indivíduo que pese 70 kg.
Fontes: Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo e médica.

Conseqüências decorrentes do consumo abusivo de álcool

Físico

  • Hálito alcoólico
  • Emagrecimento/Inchaço
  • Insônia
  • Dores musculares ou fraqueza
  • Síndrome de Abstinência
  • Várias doenças crônicas (pressão alta, pancreatite, gastrite, polineurite, doenças de coração, câncer, etc)

Profissional

  • Mau desempenho
  • Faltas
  • Perda de emprego
  • Acidentes de trabalho


Social

  • Brigas / Envolvimento com a polícia
  • Má adaptação familiar e social
  • Morbidade e Mortalidade

Psicológico

  • Comprometimento da função psicomotora e cognitiva
  • Comprometimento da memória de curto prazo
  • Nervosismo e AnsiedadeDiminuição da auto-estima
  • Depressão
  • Violência


Como evitar intoxicações?

  • Não beber diariamente
  • Evitar usar álcool para enfrentar os problemas da vida
  • Identificar situações de risco e procurar desenvolver novas maneiras de lidar com estas situações
  • O desejo não é sinônimo de incapacidade de auto-monitorar o consumo
  • Servir a bebida em forma de doses
  • Diluir a bebida ao invés de bebê-la pura
  • Beber pausadamente ao invés de tomar tudo em um só gole
  • Alternar bebidas alcoólicas com não alcoólicas
  • Evitar beber de estômago vazio


Existe uma quantidade segura para beber?

  • Doses diárias inferiores a:

    2 drinques (homens)
    1 drinque (mulheres)



Modificar a rotina

  • Dependente - Não existe forma segura de beber
  • O desejo nem sempre é sinal de que você é incapaz de obter êxito
  • A SDA é temporária / Procure um médico
  • Modos: Parada Abrupta (dependente)
  • Redução (consumo nocivo)


Complicações e seu manejo Convulsões
Mais de 90% ocorrem até 48 horas após a interrupção do uso de álcool (pico entre 13 e 24 horas) e estão associadas a evolução para formas graves de abstinência. Quando houver história de epilepsia, devem ser mantidos os medicamentos já utilizados pela pessoa. A convulsão acontece devido a contração desordenada dos músculos, com relaxamento dos esfíncteres, músculos que controlam a saída de urina e fezes, com liberação dos mesmos e de saliva. Depois da convulsão vem um período de inconsciência.

Ao encontrar alguém em convulsão

  1. Afaste objetos que possam machucar a pessoa.
  2. Mantenha a pessoa deitada e proteja a cabeça de ferimentos.
  3. Nunca tente colocar nada dentro da boca da pessoa (caneta, lápis, pedaços de madeira etc.), pois você poderá machucar-se ou machucar a pessoa.
  4. Não tente segurar a pessoa. Deixe a convulsão seguir livremente.
  5. Tente virar a cabeça ou o corpo da pessoa para o lado.
  6. Não se preocupe com a saliva que sai da boca da vítima.

Uma convulsão não é transmissível por nenhum meio. Terminada a convulsão deixe a pessoa respirar livremente, fazendo a inclinação da cabeça para o lado. Desaperte as roupas e afaste os curiosos. Para alguém que sofra de convulsão é bastante desconcertante acordar rodeado de pessoas curiosas. A primeira coisa a fazer quando encontrar alguém tendo uma convulsão é chamar por SOCORRO. Não se deve administrar glicose aleatoriamente muito menos dar açúcar como forma de equilibrar a glicose no sangue. As orientações fornecidas acima devem ser seguidas enquanto a ajuda especializada não chega. Ao chamar socorro sempre dê o máximo de informações possíveis sobre a pessoa, o que aconteceu e a localização exata.

Telefones úteis:

  • POLÍCIA - 190
  • CENTRAL DE INFORMAÇÕES - INAMPS - 191
  • ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR - AMBULÂNCIA - 192
  • CORPO DE BOMBEIROS - 193
  • DSV - 194
  • DISQUE-SAÚDE - 1520
  • CENTRAL DE INTOXICAÇÕES - CCI - 275.5311 e 578.5111, r.186


Populações especiais

  • Gravidez: é contra-indicado o uso de bebidas alcoólicas, principalmente no 1º trimestre, uma vez que o álcool atravessa a placenta e pode prejudicar o desenvolvimento fetal.
  • Amamentação: é contra-indicado o uso de bebidas alcoólicas, pois o álcool é transferido ao lactante via leite materno.
  • Crianças: não devem utilizar bebidas alcoólicas e nem serem expostas ao etanol disfarçado sob a forma de guloseimas, tônicos, xaropes, sobremesas, etc, pois seu organismo é mais sensível ao efeito nocivo do álcool (fase de desenvolvimento).


Consumo de álcool e a adolescência

  • Início do beber antes dos 15 anos.

    Quadruplicam as chances è Alcoolista quando comparado com outros adolescentes que iniciaram uso ao redor dos 20 anos.

  • Episódios de abuso aparecem mais cedo quando a idade de início do consumo diminui
  • Estudo: Adolescentes (16 anos) com alto consumo e freqüência è Bebedores pesados aos 26 anos Influência Genética é menor que fatores sociais e ambientais para retardar o beber até 16 anos.