29 de novembro de 2020

Dependência química entre médicos: A experiência de um serviço pioneiro no Brasil – Rede de apoio a médicos.

23 de novembro de 20135min

Acesse: Dependência Química entre Médicos.pdf

Dependência química entre médicos: A experiência de um serviço pioneiro no Brasil – Rede de apoio a médicos. características sócio-demográficas,padrões de consumo, comorbidades e repercussões do uso de álcool e outras drogas entre médicos.
SÃO PAULO 2007
Hamer Nastasy Palhares Alves
 Médicos apresentam peculiaridades sócio-ocupacionais e de personalidade que os expõem a situações de risco para transtornos mentais,burnout e uso de substâncias. Objetivo: Descrever características sóciodemográficas,razões para busca de auxílio terapêutico, diagnóstico do uso problemático de substâncias, comorbidades psiquiátricas e repercussões do consumo em amostra clínica em um serviço específico para médicos no Brasil.
Desenho: Estudo de corte transversal. Procedimentos: Um estudo piloto foi realizado para investigar o perfil de médicos dependentes químicos em tratamento no Brasil, (N=198). Os resultados deste estudo fomentaram a necessidade de constituição de um serviço para esta clientela. A partir do funcionamento desta Rede de Apoio a Médicos foi investigado, em entrevista semi-estruturada, o perfil sócio-demográrico, comorbidades psiquiátricas e diagnóstico do uso de substâncias (Checklist de Sintomas para a CID-10 e Malasch Burnout Inventory). Auto-medicação foi anotada quando esta contribuiu para a gênese do consumo de substâncias. Repercussões do uso de foram anotadas de modo dicotômico (sim/não). Resultados: Trezentos e sessenta e cinco médicos foram atendidos em um período de sete anos.Destes, 319 (87,4%) eram homens, idade média de 38,6 ± 10,5 anos. O
intervalo médio entre a identificação do problema e a busca de tratamento foi de 5,8 ± 7,3 anos. Comorbidade psiquiátrica esteve presente em 188 casos (51,5%). O álcool foi a droga mais consumida, sendo responsável pelo início de consumo problemático de substâncias na maioria dos casos. Observamos
diferentes perfis entre os blocos de especialidades: as especialidades clínicas iniciaram a carreira de uso problemático predominantemente com o álcool, as especialidades cirúrgicas com álcool ou drogas de rua e anestesiologia, com drogas de prescrição (p<0,001). A análise através do processo de árvores de
classificação corroborou os achados de diferentes padrões entre os blocos de especialidades em relação ao início do consumo de substâncias (p<0,001) e ao padrão atual de consumo (p=0,021). As mulheres apresentaram problemas mais frequentemente com benzodiazepínicos e anfetaminas e também
buscaram auxílio mais precocemente. A busca de auxílio ocorreu por pressão xiv da família (44,1%), por pressão de colegas e Conselho Regional de Medicina (18,1%) e voluntariamente (37,8%). O tempo decorrido entre o reconhecimento de problemas e a busca de auxílio foi compatível com a literatura internacional
(5,83 anos ± 7,31). A especialidade de anestesiologia mostrou-se hiperrepresentada em nossa amostra, e apresentou características peculiares em relação ao tipo de droga consumida, à forma de busca de auxílio terapêutico e ao início do consumo de drogas, sendo que este se deu principalmente por meio de drogas de prescrição (benzodiazepínicos e opióides). Conclusões:Ponderamos que a amostra analisada apresenta um perfil psicopatológico e de
comorbidades importante, com repercussões do consumo em diversas áreas da vida (familiares, profissionais e saúde mental)


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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