Os impactos do uso de maconha na saúde e na sociedade

19 de março de 20247min1119
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*Por Adriana Moraes

O debate em torno do uso da maconha tem sido amplamente discutido tanto na mídia quanto em outros meios de comunicação, destacando-se devido aos diversos riscos que apresenta tanto para os indivíduos quanto para a sociedade em geral. Uma das principais fontes de controvérsia é a confusão frequentemente feita entre os usos recreativo e medicinal da substância.

No Brasil, vive-se sob a normativa de que todo cidadão tem o direito à assistência pública e de qualidade integralmente pelo Estado. Isso significa que o governo é responsável por garantir o acesso dos cidadãos a serviços de saúde de qualidade, independentemente de sua condição socioeconômica. Isso inclui serviços de prevenção, tratamento e reabilitação para problemas relacionados ao uso de substâncias, como a maconha.

O uso de maconha pode ter impactos relevantes na saúde física e mental dos usuários, fisiologicamente, o consumo frequente da substância pode levar a danos pulmonares, semelhantes aos observados com o tabagismo, devido à inalação de produtos químicos presentes na fumaça da maconha. Além disso, o tetrahidrocanabinol (THC), o principal composto psicoativo da maconha, pode afetar a função cognitiva e a memória, especialmente em usuários adolescentes cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a maconha é considerada ainda mais prejudicial à saúde do que o cigarro. Quem fuma maconha consome quatro vezes mais alcatrão do que se fumasse um cigarro de tabaco e cinco vezes mais monóxido de carbono, duas substâncias associadas diretamente ao câncer de pulmão.

Do ponto de vista da saúde mental, o uso de maconha também está associado a uma série de problemas, incluindo o aumento do risco de desenvolvimento de transtornos psiquiátricos, como a ansiedade, a depressão e os transtornos psicóticos. Para algumas pessoas, o uso crônico de maconha pode desencadear ou agravar sintomas psicóticos, como alucinações e paranoia.

Custos associados ao uso problemático de maconha

Os custos diretos e indiretos associados ao uso problemático de maconha abrangem uma série de áreas que impactam não apenas os indivíduos diretamente envolvidos, mas também a sociedade como um todo.

Os custos diretos estão intrinsecamente ligados à assistência em saúde, englobando desde os gastos com tratamento médico propriamente dito até o acesso a serviços de saúde e às estruturas físicas necessárias para atender às demandas decorrentes do uso problemático da substância.

Por outro lado, os custos indiretos são igualmente significativos. A maconha pode causar uma diminuição na produtividade no ambiente de trabalho, aumentando as taxas de desemprego e contribuindo para o absenteísmo (faltas ao trabalho) e o presenteísmo (presença no trabalho, mas com baixa produtividade devido ao uso da droga).

É importante lembrar dos gastos associados à aquisição da droga, que podem alimentar o mercado ilegal e promover a criminalidade e a corrupção. O envolvimento com o sistema judiciário e a polícia também implica custos adicionais, assim como o prejuízo ao desempenho acadêmico, resultando em perdas educacionais e profissionais para os usuários.

Portanto, fica evidente que os custos diretos e indiretos do uso problemático de maconha têm implicações significativas não apenas do ponto de vista econômico, mas também em termos de saúde pública, segurança e bem-estar social.

Busca por ajuda

Com frequência, a busca por assistência por parte de usuários de maconha se dá através de encaminhamentos judiciais ou por intervenção de familiares que expressam preocupação. Isso pode ocorrer quando os padrões de uso da substância começam a afetar negativamente a vida do indivíduo, interferindo em suas relações sociais, no trabalho ou na saúde mental. A relutância em procurar ajuda por conta própria muitas vezes se deve ao estigma social associado ao consumo de maconha, bem como à negação ou minimização dos problemas decorrentes do uso.

Encerro destacando que a saúde e o consumo de maconha não são compatíveis, e que cabe ao Estado o dever de assegurar a saúde de todos os cidadãos, conforme estipulado no Artigo 196 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Sendo assim, é fundamental que o sistema de saúde pública brasileiro esteja preparado para lidar com os desafios associados ao uso de maconha e para oferecer suporte adequado aos indivíduos que enfrentam problemas de saúde física ou mental decorrentes do uso da substância.

Referências:

[1] Maconha: prevenção, tratamento e políticas públicas/organizadoras: Alessandra Diehl, Sandra Pillon – Porto Alegre: Artmed 2021.
[2] http://abpbrasil.org.br/manifesto/manifesto.pdf

*Adriana Moraes – Psicóloga da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) – Especialista em Dependência Química – Colaboradora do site da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas).


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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