TRATAMENTO DOS PROBLEMAS RELACIONADOS COM O ABUSO E DEPENDÊNCIA DO ÁLCOOL E DROGAS NO SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE.

18 de dezembro de 20134min

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TRATAMENTO DOS PROBLEMAS RELACIONADOS COM O ABUSO E DEPENDÊNCIA DO ÁLCOOL E DROGAS NO SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE.

 Dependência como um distúrbio crônico
Embora o abuso e a dependência do álcool e drogas seja um disturbio crônico existe uma expectativa da maioria dos clínicos de perceber o tratamento dessa condição como algo que possa ser feito agudamente como numa pneumonia ou subagudamente como numa tuberculose (O’Brien & McLellan, 1996). Com este tipo de expectativa irreal muitas vezes a idéia de tratamento fica associada com a idéia de desintoxicação de uma droga, ou seja após um período sem uso da substância o paciente estaria curado. Quando o paciente tem uma recaida, e a grande maioria mais cedo ou mais tarde terá, o tratamento é considerado um insucesso e mais uma desintoxicação é proposta como uma forma de proteger o paciente.
Nas últimas duas décadas o estudo das dependências evoluiu muito e hoje tem-se a tendência de considerar esse tipo de tratamento da mesma forma como tratamos a maioria das condições crônicas e recidivantes em medicina como hipertensão, asma, diabetes, etc(O’Brien & McLellan, 1996). Podemos dizer que praticamente todos os pacientes terão recaidas e muitos recairão várias vezes. Na realidade a prevenção da recaida é um dos aspectos mais importantes no processo de tratamento das dependências. Ao invés de considerarmos a recaida como uma má evolução do tratamento, consideramos como uma oportunidade do pacientes aprender sobre a sua dependência e desenvolver controles comportamentais que visarão interromper o uso crônico do álcool ou drogas. Esses controles comportamentais serão aperfeiçoados de uma forma mais efetiva quando o paciente estiver o mais perto possivel do seu ambiente costumeiro. Aqueles pacientes que ficam muito tempo afastados do seu ambiente, correm o risco de conseguirem ficar abstinentes somente em ambientes protegidos. No entanto cada vez mais se incapacitarão para lidar com as pressões para beber que ocorrem no seu cotidiano.
Esta nova atitute em relação ao tratamento das dependências modificou a forma como os serviços públicos ou privados devem se organizar. O tratamento não deveria ser visto como um evento temporalmente delimitado mas como um processo no qual as recaidas, muito embora indesejáveis, deveriam ser oportunidades terapeuticas para o paciente reaprender a controlar o seu uso de álcool ou drogas. Não existe uma forma única de tratamento que possa dar conta da diversidade desses pacientes, e só uma avaliação adequada poderá dizer qual o tipo de tratamento poderá ser mais útil para determinado paciente. À semelhança das condições crônicas em medicina o paciente deverá permanecer em tratamento por vários meses ou mesmo anos buscando adequar a suas necessidades clínicas com a forma de tratamento mais eficiente no seu caso.


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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