20 de setembro de 2020

Custo social e em saúde do consumo do álcool

27 de dezembro de 20134min

Acesse: O custo social do alcool.pdf

Custo social e em saúde do consumo do álcool

José Nino Meloni
Ronaldo Laranjeira

Por serem agentes privilegiados no processo de formulação das políticas públicas, os profissionais de saúde em geral e especificamente os psiquiatras, devem valer-se de informações que ultrapassem o alcance do saber que lhes sustenta a clínica, quais sejam, as evidências que lhes são úteis para o tratamento dos dependentes do álcool. É de suma importância que esses profissionais tenham em consideração, que o consumo do álcool determina enorme custo social, ao mesmo tempo em que exerce grande peso como causa de problemas à saúde.
Usando como base uma revisão recente da Organização Mundial de Saúde, a partir de um amplo estudo realizado no ano de 2000 (1), este artigo expõe dados atualizados sobre os problemas relacionados ao consumo do álcool no mundo, dando ênfase aos escassos, porém contundentes dados brasileiros. Para além da mera descrição de métodos e resultados, o que se visa é a demonstração, por meio de evidências consistentes, de uma estimativa do alto custo acarretado pelo álcool à sociedade. Tais evidências representam a dianteira de esforços de pesquisa internacionais e nacionais.
A despeito das imensas dificuldades metodológicas suscitadas pelo tema, os subtítulos desse artigo simplesmente retratam a busca sistemática de evidências, na população global, acerca do quanto se bebe, como se bebe, que problemas sociais isso traz, quanto se adoece e se morre em decorrência do beber, ou seja, qual é o impacto dos danos relacionados ao consumo do álcool.
Essa análise inclui duas dimensões de problemas consideradas indissociáveis, uma vez que sempre ocorrem simultaneamente: o Dano Social Global (The Global Burden of Social Harm) e o Peso Global dos Danos à Saúde ( The Global Burden of Disease).De uma maneira geral os resultados para cada variável considerada, bem como as conclusões finais, atestam as teses de Edwards (2), as quais indicam, que do ponto de vista da prevenção, não é suficiente saber que o consumo excessivo de álcool geralmente aumenta o risco individual para ocorrência de problemas. Os índices de problemas na população variam conforme a cultura, as camadas sociais e dentro de cada cultura ao longo do tempo. Ademais, o peso de problemas sociais e de saúde recai não apenas sobre aqueles que bebem excessivamente, fato bem ilustrado em publicações clássicas e recentes (3). Qualificar a força da relação existente entre o consumo do álcool e o surgimento de problemas, fornece instrumentos para a tomada de decisões sobre políticas de prevenção mais adequadas.


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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