Álcool e proteção da cidadania

23 de novembro de 20134min

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Álcool e proteção da cidadania
Professor Doutor Ronaldo Laranjeira

Coordenação ACCA| acca.coordenacao@uniad.org.br

Os interesses da indústria do álcool são incompatíveis com a saúde pública. Dois exemplos recentes mostram de uma forma inequívoca esse fato. A revista VEJA recentemente publicou uma nota sobre a preocupação da AmBev com a introdução da chamada lei seca em dezenas de cidades brasileiras. O centro da preocupação é que com o fechamento dos bares às 23 horas houve uma diminuição significativa do consumo de cervejas nessas cidades, pois mais de 70% do consumo dessa bebida ocorre em bares. A boa notícia para a saúde pública foi que em todas essas cidades houve uma diminuição substancial da violência urbana. Em Diadema, por exemplo, houve uma queda de mais de 60% dos homicídios. Em poucos meses essa cidade deixou de ser a capital da violência para se tornar uma das cidades mais seguras do estado de São Paulo. O interessante é que com a queda de Diadema do topo da lista da violência urbana outras cidades assumiram o posto. Sumaré, no interior de SãoPaulo, passou a ocupar o primeiro lugar. Há pouco mais de 6 meses essa cidade também introduziu o fechamento dos bares como política municipal e imediatamente a violência urbana caiu mais de 50%. Pelo país afora criouse um consenso de que a medida mais imediata e barata para diminuir a violência urbana é o fechamento dos bares às 23 horas. Menos álcool faz bem para a paz urbana e para a saúde pública.O outro exemplo é um estudo realizado nos Estados Unidos e publicado na edição de janeiro da revista Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine. Foram entrevistadas 1872 pessoas, com idades entre 15 e 26 anos, em um período de dois anos. Esse estudo confirma o que a maioria dos especialistas já sabia por observação não sistemática que quanto mais as crianças forem expostas à propaganda do álcool, mais elas beberão. Os cientistas da Universidade de Connecticut, que conduziram esse estudo, mostraram que para cada anúncio novo assimilado pelas crianças por mês, o consumo de bebidas aumentou em 1%. Houve também uma comparação entre as áreas do país onde existia exposição diferente das crianças à propaganda do álcool. Crianças que moravam em regiões com grande exposição à propaganda bebiam mais. Cada dólar per capita a mais em propaganda aumentava o consumo em 3%. Esse estudo também mostrou que os jovens estão começando a beber mais cedo do que antes, pondo em risco seu desempenho na escola e se envolvendo mais em acidentes. A conclusão é clara, a propaganda do álcool contribui para o aumento de consumo do álcool entre crianças e compromete significativamente a sua segurança e o seu futuro.Quer seja o controle social da venda do álcool através do fechamento dos bares às 23 horas ou a proibição da propaganda do álcool são medidas que recebem grande oposição da industria do álcool.


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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