O que diferencia quem entra em colapso emocional de quem consegue suportar?

25 de setembro de 202611min12
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*Por Adriana Moraes

Há momentos em que a vida parece pesada demais. Algumas pessoas conseguem seguir em frente mesmo diante de grandes dificuldades. Outras chegam a um ponto em que simplesmente sentem que não conseguem mais dar conta. Isso não significa que sejam mais fracas. Cada pessoa tem uma história, uma maneira de enfrentar os problemas e um limite diferente.
Setembro é um mês que nos convida a olhar com mais atenção para a vida. O Setembro Amarelo nos lembra da importância de falar sobre o que sentimos, de valorizar a vida e, principalmente, de não ignorar o sofrimento de quem está ao nosso lado.

Também é um momento para pensar sobre aquilo que dá sentido à nossa vida: as pessoas que amamos, os vínculos que construímos, os projetos que ainda queremos realizar e a possibilidade de encontrar novos caminhos mesmo quando tudo parece difícil.

Não existe uma única resposta para explicar por que algumas pessoas conseguem suportar determinadas situações enquanto outras entram em colapso emocional.



A história de cada pessoa importa
Tudo o que vivemos deixa marcas. Ter crescido em um ambiente de carinho, segurança e apoio pode ajudar a enfrentar momentos difíceis. Da mesma forma, experiências de abandono, violência, perdas ou instabilidade podem tornar algumas situações ainda mais dolorosas.

Mesmo quem passou por experiências muito difíceis pode encontrar novas formas de lidar com a vida. Muitas vezes, isso acontece quando a pessoa encontra alguém disposto a ouvir, quando consegue falar sobre o que sente ou quando percebe que não precisa resolver tudo sozinha.

Ter uma pessoa de confiança por perto pode fazer uma enorme diferença. Às vezes, não precisamos de alguém que tenha a solução para o nosso problema. Precisamos apenas de alguém que fique ao nosso lado enquanto tentamos encontrar um caminho.

A ciência também mostra a importância desses vínculos. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024, que reuniu 118 estudos com mais de 692 mil participantes, encontrou uma associação entre maior apoio social e menor ocorrência de pensamentos e comportamentos suicidas. Os autores destacam que sentir-se conectado e pertencente pode ajudar a enfrentar situações difíceis e facilitar a busca por ajuda.

Em outras palavras, não precisamos enfrentar o sofrimento sozinhos. Ter alguém com quem conversar, sentir-se acolhido e saber que existe ajuda disponível pode ser um fator de proteção em momentos de maior vulnerabilidade.


 
Nem sempre conseguimos dar conta de tudo
Vivemos em uma época em que parece existir uma cobrança constante para sermos fortes, produtivos e capazes de resolver tudo. Mas ninguém consegue sustentar isso o tempo inteiro.

Há momentos em que é preciso parar, reconhecer que está cansado, dizer “eu não estou bem” e pedir ajuda.  
 
Conversar sobre o que está acontecendo, respeitar os próprios limites, cuidar do sono, alimentar-se bem, manter alguma atividade física e preservar os vínculos com outras pessoas podem ajudar a atravessar períodos difíceis.

O problema é que, quando o sofrimento aperta, algumas pessoas fazem justamente o contrário: se afastam, guardam tudo para si, tentam fingir que está tudo bem ou procuram no álcool e em outras substâncias uma maneira de esquecer o que estão sentindo. Essas estratégias podem trazer um alívio momentâneo, mas não resolvem aquilo que está causando a dor.


Quando o sofrimento vai se acumulando
Nem sempre existe um único acontecimento responsável pelo colapso emocional.

Às vezes, são muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo: uma preocupação financeira, problemas no trabalho, uma doença, uma separação, a perda de alguém querido, conflitos dentro de casa ou a preocupação com os filhos. No começo, a pessoa vai suportando, mas, aos poucos, começa a dormir mal, ficar irritada, perder a concentração, sentir ansiedade e perceber que até as tarefas mais simples estão ficando difíceis.
Quando isso acontece, não é sinal de falta de força, pode ser o sinal de que aquela pessoa está carregando mais do que consegue suportar naquele momento.

 

Resiliência pode ser desenvolvida
Ser resiliente não significa não sofrer. Não significa acordar todos os dias forte, otimista e preparado para enfrentar qualquer coisa.

Resiliência também é poder cair e, aos poucos, encontrar forças para levantar. É aprender com o que aconteceu, descobrir novos caminhos e reconhecer quando precisamos de alguém para nos ajudar.

Essa capacidade pode ser construída ao longo da vida. Bons relacionamentos, autoconhecimento, cuidado com a própria vida e ajuda profissional podem fazer parte desse caminho.
Quando a tristeza, a ansiedade, o medo ou o desânimo começam a atrapalhar o trabalho, os estudos, os relacionamentos ou as tarefas do cotidiano, procurar um psicólogo ou um psiquiatra pode ser um passo importante.


Cada pessoa tem o seu limite

Talvez a pergunta mais importante não seja “por que algumas pessoas suportam mais do que outras?”.

Talvez seja: o que podemos fazer quando percebemos que alguém está sofrendo, ou quando percebemos que nós mesmos não estamos conseguindo mais?

 
A resposta começa pela escuta, por uma conversa, por não julgar, por não dizer simplesmente “seja forte” ou “isso vai passar”.  Cada pessoa carrega uma história que nem sempre conseguimos enxergar.
Neste Setembro Amarelo, falar sobre a vida também é falar sobre as dores que fazem parte dela. É lembrar que momentos difíceis podem fazer parte da história de qualquer pessoa, mas que sofrimento não precisa ser enfrentado em silêncio.Às vezes, pedir ajuda é justamente uma forma de escolher a vida.



Se precisar, peça ajuda!
Campanha Setembro Amarelo de Prevenção ao Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) , coordenada pelo psiquiatra Dr. Antônio Geraldo.  

 
Fontes:
[1] O papel do apoio social na prevenção de ideações e comportamentos suicidas: uma revisão sistemática e meta-análise – https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11264453/
 
[2] Setembro Amarelo® 2026: se precisar, peça ajuda! – https://www.setembroamarelo.com/*Adriana Moraes – Psicóloga da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) – Especialista em Dependência Química e Saúde Mental – Colaboradora do site da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas

Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra, com o objetivo inicial de oferecer atendimento a funcionários com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Esse trabalho marcou o início de uma trajetória voltada à assistência, à pesquisa e à formação de profissionais na área da dependência química.



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