25 de setembro de 2020

Sobrevivendo crack: um estudo qualitativo das estratégias e táticas desenvolvidas pelos usuários brasileiros para lidar com os riscos associados com a droga.

7 de novembro de 20103min

BMC Public Health. 2010 04 de novembro, 10 (1): 671. [Epub ahead of print]

Ribeiro LA, Sanchez ZM, Nappo SA.

Resumo

JUSTIFICATIVA: Devido a marginalização, a violência do tráfico, conflitos com a polícia e orgânicos problemas sociais e psicológicos associados com a droga, o crack é uma das drogas mais devastadoras em uso atualmente. No entanto, há evidências de que alguns usuários conseguem se manter vivo e ativo durante o uso de crack por muitos anos, apesar das adversidades e inúmeros riscos envolvidos com esse comportamento. Neste contexto, o objetivo do presente estudo foi identificar as estratégias e táticas desenvolvidas por usuários de crack para lidar com os riscos associados com a cultura de utilização, analisando as estratégias de sobrevivência empregadas por usuários de longo prazo.

MÉTODO: A metodologia de pesquisa utilizada foi qualitativa envolvendo semi-estruturadas, entrevistas em profundidade. Vinte e oito usuários de crack cumprindo um critério definido de pré-inscrição foram entrevistados. Esse critério foi definido como o uso a longo prazo de crack (isto é, pelo menos quatro anos). A amostra foi selecionada utilizando informações fornecidas por informantes-chave, distribuídas em oito diferentes cadeias de suprimento. As entrevistas foram literalmente transcritas e analisadas através de técnicas de análise de conteúdo usando software NVivo8. Resultados e Discussão: Houve diversidade na amostra no que respeita à educação e nível econômico. A duração média de uso de crack foi de 11,5 anos. Os respondentes acreditam que o maior risco de dependência de crack foram relacionados com os efeitos psicológicos da droga (por exemplo, ânsias e sintomas transitórios paranóico) e as decorrentes de sua ilegalidade (por exemplo, os confrontos com a polícia e tráfico). Estratégias de proteção voltadas para o controle dos efeitos psicológicos, principalmente através do consumo de álcool e maconha. Para enfrentar a ilegalidade da droga, estratégias foram desenvolvidas para lidar com traficantes e polícia; estas estratégias foram consideradas fundamentais para a sobrevivência.

CONCLUSÕES: As estratégias desenvolvidas pelos respondentes centrada na tentativa de se proteger. Eles provaram eficazes em geral, embora os riscos envolvidos de desencadear outros problemas (por exemplo, outras dependências) no longo prazo.

PMID: 21050465 [PubMed – como fornecido pelo publisher]


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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