Especialistas apontam elo entre droga e assassinato

7 de dezembro de 20083min

De acordo com delegados, consumo e venda favorecem homicídios na região

Prisão de traficantes no interior supera números da capital “eles matam quem não paga a droga”, diz especialista da USP

DA FOLHA RIBEIRÃO

A maioria dos homicídios da região de Ribeirão Preto é ligado ao uso e tráfico de drogas, de acordo com delegados e especialistas ouvidos pela Folha.

“A maior parte está ligada a acerto de contas”, afirmou o delegado Jucélio Paula da Silva Rego, de Ituverava, que há duas semanas pegou um caso incomum: o assassinato de um homem durante a sua própria festa de casamento. “Mas a minoria dos crimes é assim, por motivos passionais ou brigas”, disse. O acusado se entregou à polícia dois dias depois do crime.

O diretor do Deinter-3, George Henry Millard, que já foi diretor do Denarc (Departamento de Investigação sobre Narcóticos) de São Paulo, concorda. “São ligados não apenas ao tráfico, mas ao uso de drogas. Aquelas duas pessoas que morreram na semana retrasada [dois moradores de rua mortos em Ribeirão], por exemplo, haviam fumado crack antes”, disse o diretor do Deinter.

Se for levado em conta o número de prisões por tráfico, a atividade de venda de drogas no interior pode ser considerada maior do que na capital, o que explicaria a relação com os homicídios. Só neste ano, foram 12.399 prisões no interior, contra 4.508 na capital -175,04% a mais.

O tráfico de drogas, porém, é um tipo de crime que sempre foi maior no interior do que na capital, pelo menos de acordo com as prisões feitas pela Polícia Civil e registradas pela SSP (Secretaria da Segurança Pública) do Estado.

Assim como os delegados, Sérgio Kodato, coordenador do Observatório da Violência e Práticas Exemplares da USP, também acha que existe forte ligação entre tráfico de drogas e homicídios.

Segundo o professor, a organização do tráfico aumenta a probabilidade de ocorrência dos assassinatos por causa das regras dos criminosos. “[Os traficantes] passam a instituir a questão de matar quem não paga. Vira uma regra.”


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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