1 de outubro de 2020

Evidência de interação entre a idade de início do uso de álcool e influências genéticas sobre os sintomas da dependência do álcool

20 de novembro de 20095min

CISA

Evidências científicas indicam que o início precoce do consumo de álcool está associado a um maior envolvimento com o uso dessa substância, incluindo o beber pesado (definido como a ingestão de cinco ou mais doses em uma única ocasião), a direção de veículos automotores sob efeito do álcool e à dependência alcoólica. Atualmente, a dependência de álcool é considerada um grave problema de saúde pública e o consumo de álcool contribui com 1,8 milhões de mortes por ano ao redor do mundo.

Pesquisas anteriores, conduzidas nos EUA, mostraram que indivíduos que iniciam o consumo de álcool antes dos 16 anos de idade possuem risco 1,3 a 1,6 vezes maior de se tornarem dependentes. Cada ano de atraso no início do uso de álcool é capaz de gerar uma redução de 14% no risco para a dependência do álcool.

Estudos realizados com gêmeos têm demonstrado que a dependência alcoólica é influenciada por fatores hereditários e ambientais (como por exemplo, a influência familiar) comuns, sendo que a idade de início do uso de álcool é apontada como um importante moderador dessas influências.

Com o intuito de testar essa hipótese, uma pesquisa recente na Austrália avaliou 6257 gêmeos monozigóticos (idênticos, gerados a partir de um único zigoto) e dizigóticos (fraternos, gerados a partir de dois ou mais zigotos) adultos, de ambos os sexos. Eles foram avaliados por meio de questionários com o objetivo de estabelecer: como a idade de início do uso de álcool influenciava os sintomas da dependência alcoólica (de acordo com os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, Quarta Edição – DSM-IV); e qual era a magnitude do efeito da idade de início sobre as heranças genéticas e ambientais dos indivíduos.

Os resultados encontrados evidenciaram que o risco para a manifestação dos sintomas da dependência de álcool aumentou na proporção que diminui o início de uso de álcool. As influências hereditárias sobre os sintomas da dependência foram mais pronunciadas entre os indivíduos que relataram o primeiro consumo de álcool antes dos 13 anos de idade. Já para aqueles que relataram o uso inicial de álcool mais tardio, particularmente após os 18 anos de idade, a variação nos sintomas da dependência foi largamente atribuída a fatores ambientais.

Os autores concluíram que a idade de início do uso de álcool é um potencial fator de risco para a etiologia dos sintomas da dependência alcoólica. Como a grande maioria dos transtornos psiquiátricos possui em sua etiologia uma complexa interação entre genética X fatores ambientais, futuras pesquisas, levando em conta a idade precoce do início do uso de álcool, podem aumentar a capacidade de isolar genes responsáveis pela dependência alcoólica.

Do ponto de vista da saúde pública, o presente estudo serve para alertar que o início tardio do consumo de álcool por jovens pode ser um fator protetor contra a predisposição familiar ao desenvolvimento de sintomas da dependência alcoólica.

Título: Evidence for an Interaction Between Age at First Drink and Genetic Influences on DSM-IV Alcohol Dependence Symptoms

Autores: Agrawal A, Sartor CE, Lynskey MT, Grant JD, Pergadia ML, Grucza R, Bucholz KK, Nelson EC, Madden PAF, Martin NG, Heath AC

Fonte: Alcoholism: Clinical and Experimental Research 2009 Sep 17 [in press]

IF: 3,166

 

 

 

 


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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