Consumo de bebida alcoólica, fatores socioeconômicos e excesso de peso: um estudo transversal no sul do Brasil

8 de dezembro de 201339min

Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.18 no.12 Rio de Janeiro Dec. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232013001200014 

TEMAS LIVRES FREE THEMES

Consumo de bebida alcoólica, fatores socioeconômicos e excesso de peso: um estudo transversal no sul do Brasil

Alcohol consumption, social and economic factors and excess weight: a cross-sectional study

Gabriela Herrmann Cibeira; Cecilia Muller; Rosmeri Lazzaretti; Gisele Alsina Nader; Maira Caleffi

Associação Hospitalar Moinhos de Vento. Tiradentes 333, Moinhos de Vento. 90.211-212 Porto Alegre RS Brasil. gabi.hc@hotmail.com


RESUMO

O objetivo do estudo foi investigar o consumo de álcool e verificar sua associação com escolaridade, renda e excesso de peso em uma amostra de mulheres. Trata-se de um estudo transversal com 317 mulheres. Aplicou-se um questionário padronizado e pré-codificado para determinar a quantidade, a frequência e o tipo de bebida alcoólica consumida. As mulheres foram classificadas em dois grandes grupos, conforme a quantidade de bebida consumida. O primeiro grupo “Consumo de Álcool”, formado por duas subcategorias: (1) mulheres que bebiam no mínimo 10g/dia de etanol; (2) mulheres que referiram não consumir 10g/dia de etanol e as que beberam em algum período da vida ou previamente, mas que o deixaram de fazer. O segundo grupo, “Contato com Álcool”, foi composto por três subcategorias: (1) bebedoras (mulheres que bebiam no mínimo 10g/dia de etanol), (2) ex-bebedoras (já beberam regularmente, mas deixaram de consumir a bebida) e (3) não bebedoras. Das investigadas, 30% eram bebedoras e 36,6% se declararam ex-bebedoras. Tinham sobrepeso 39,4% das participantes e 34,3% eram obesas. As investigadas com maior grau de instrução consumiam maior quantidade de álcool, quando comparadas às mulheres com menor escolaridade (analfabetas) que consumam menos (p = 0,010).

Palavras-chave: Bebidas alcoólicas, Índice de Massa Corporal, Escolaridade, Renda familiar


ABSTRACT

The scope of this study was to investigate alcohol consumption and its association with educational level, income and weight in a sample of women. It involved a cross-sectional study with 317 women. A standardized and pre-encoded questionnaire was applied to determine the amount, frequency and type of alcoholic beverage consumed. The women were classified in two large groups according to the number of drinks consumed. The first group “Alcohol Consumption,” was comprised of two subcategories: (1) women who drank at least 10g/day of ethanol; (2) women who reported not consuming 10g/day of ethanol, and those who drank at some period of their lives or previously, but no longer did so. The second group, “Contact with Alcohol,” was composed of three subcategories: (1) drinkers (women who drank at least 10g/dia of ethanol); (2) former drinkers (women who used to drink regularly, but no longer drink alcohol); and (3) non-drinkers. 30% of the women investigated were drinkers, and 36.6% reported they were former drinkers. 39.4% of the total sample was overweight and 34.3% obese. Women with higher educational levels were found to consume a larger amount of alcohol when compared to women with less education (illiterate) who consume less (p = 0.010).

Key words: Alcohol, Body Mass Index, Educational level, Family income


Introdução

O álcool é a substância mais utilizada no mundo, sendo o seu consumo evidente em diferentes populações1. O percentual de brasileiros que refere ter o hábito de consumir regularmente a bebida alcoólica varia de 32,4% a 58,6%, sendo que, entre as mulheres, esse índice chega a 47,5%². Estimativas mostram que a alta ingestão de álcool é responsável por 4% de toda a morbidade e mortalidade ocorrida mundialmente, e esse valor tende a crescer ainda mais3. De acordo com a Organização Mundial de Saúde4, a bebida mais consumida no país é a cerveja, com 54 litros per capita/ano, seguida pela cachaça, com 12 litros per capita/ano, e pelo vinho, com 1,8 litros per capita/ano4.

Mesmo com o aumento do consumo per capita de álcool em países subdesenvolvidos5,6, poucas pesquisas têm se detido em avaliar a associação entre condição socioeconômica e o consumo de álcool. Evidências mostram maior prevalência de abusadores de álcool entre indivíduos analfabetos e entre aqueles com o primeiro grau completo7. No entanto, há poucos estudos brasileiros que avaliaram essa relação, contribuindo para maior contradição dos dados. Um desses, intitulado Primeiro Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira8, mostrou que o maior percentual das pessoas que utilizam álcool encontra-se na região sul do Brasil e se enquadram nas classes econômicas mais altas.

Pesquisas apontam que o consumo de álcool contribui para mais de 10% dos problemas de saúde no Brasil, sendo que seu alto consumo está relacionado ao excesso de peso³. Devido ao fato de o álcool possuir valor energético, essa substância tem a habilidade de suprimir as necessidades calóricas diárias de um indivíduo e/ou levá-lo ao sobrepeso, dependendo da quantidade, frequência e modo de consumo. Mesmo com o aumento do gasto energético basal nos indivíduos alcoolistas, muitas vezes isso não é suficiente para compensar a grande quantidade de calorias ingeridas. Assim, muitos indivíduos dependentes de álcool apresentam sobrepeso, obesidade e até circunferência da cintura acima dos padrões esperados9-12.

Diante do exposto acima e das poucas pesquisas brasileiras conduzidas sobre o tema, o presente estudo teve como objetivo principal investigar o consumo de álcool e verificar sua associação com escolaridade, renda e excesso de peso em uma amostra de mulheres na capital do Rio Grande do Sul.

Métodos

Foi realizado um estudo transversal com mulheres pertencentes ao projeto Núcleo Mama Porto Alegre (NMPOA). Brevemente, o NMPOA é uma coorte formada por 9.218 mulheres, iniciada em 2004 e cujo objetivo principal é identificar os fatores de risco para a neoplasia mamária e promover a detecção precoce da doença13. Do total de mulheres cadastradas no projeto, cerca de 4.300 estão em rastreamento para câncer de mama e têm idade entre 40 e 65 anos.

A população do presente estudo foi definida como não probabilística caracterizada como de conveniência e selecionada a partir da coorte NMPOA. O cálculo do tamanho de amostra foi realizado pelo programa Stata 10.0, assumindo que a proporção de mulheres brasileiras que referem ter o hábito de consumir regularmente a bebida alcoólica pode chegar a 47,5%². Considerando um nível de significância de 5% (a= 0,05) e um erro amostral (erro aceitável) de 12,0%, o tamanho mínimo de amostra ficou definido em 289 mulheres.

As participantes foram convidadas a responder à pesquisa enquanto aguardavam na sala de espera para a realização do exame de mamografia. A coleta de dados foi realizada no período de março de 2009 a junho de 2009. Todas as participantes eram do sexo feminino e não apresentavam diagnóstico de câncer de mama atual ou prévio. As participantes residiam, predominantemente, na zona sul da cidade de Porto Alegre que se caracteriza por ser uma região de hábitos rurais e em vulnerabilidade social.

O desfecho consumo de uso de álcool foi avaliado por meio da aplicação de um questionário padronizado e pré-codificado que visou determinar a quantidade, a frequência e o tipo de bebida alcoólica consumida. Quando questionadas em relação ao consumo atual da bebida, as participantes foram classificadas em duas subcategorias que compuseram o grupo “Consumo de Álcool”: (1) grupo do sim, no qual foram incluídas aquelas que referiram beber no mínimo 10g/dia de etanol; (2) grupo do não, no qual foram reunidas aquelas que referiram não consumir 10g/dia de etanol; e, (3) as que beberam em algum período da vida ou previamente, mas que o deixaram de fazer.

Para fins de análise dos dados, além da categoria Consumo de Álcool, foi criado um segundo grupo chamado de “Contato com Álcool”, composto por três subcategorias: (1) bebedoras (aquelas que referiram beber álcool no mínimo 10g/dia de etanol), (2) ex-bebedoras (as que já beberam regularmente, mas que deixaram de consumir a bebida há pelo menos seis meses do momento da entrevista) e não bebedoras (aquelas que nunca beberam ou que referiram beber em uma frequência menor que uma vez por semana)14,15.

As variáveis independentes avaliadas foram: (1) Índice de Massa Corporal (IMC), aferido no momento da entrevista e obtido por meio da relação entre o peso dividido pela altura elevada ao quadrado; (2) escolaridade, coletada em anos completos de estudo e posteriormente categorizada em grau de instrução; (3) renda, considerada como o somatório de todos os rendimentos da família da participante no último mês que precedeu a entrevista.

A aferição do peso e altura para o cálculo do IMC, assim como da circunferência da cintura, foi realizada por nutricionista previamente treinada. Para a aferição do peso corporal, utilizou-se balança digital Urano® com capacidade para 180kg e graduação em 100g. As participantes vestiam roupas leves e estavam descalças, conforme metodologia proposta por Gus et al.16. A estatura foi mensurada por meio de estadiômetro (Seca®) fixado à parede com escala em milímetros, sendo realizadas duas medidas e considerada a média dos valores obtidos. Tanto as balanças quanto os antropômetros utilizados são anualmente aferidos e certificados pelo Instituto Nacional de Pesos e Medidas do Brasil.

As medidas da circunferência da cintura foram realizadas em duplicata, obedecendo à padronização de Callaway et al.17. A aferição foi feita com a participante em pé, em posição ereta, utilizando-se uma fita métrica flexível e inextensível de 200 cm de comprimento, com precisão de uma casa decimal. A medida da circunferência da cintura foi tomada na altura da cintura natural do indivíduo que é a parte mais estreita do tronco. Foram considerados valores normais aqueles inferiores a 88 cm18. Para garantir a validade e fidedignidade das medidas, observou-se rigorosamente a posição da fita no momento da medição, mantendo-a no plano horizontal. Para obtenção do valor da circunferência, circundou-se com a fita o local do corpo que se desejava medir, sendo a mesma colocada com firmeza, sem esticar excessivamente, evitando a compressão do tecido subcutâneo. A leitura foi feita no centímetro mais próximo, no ponto de cruzamento da fita.

Para a classificação do Índice de Massa Corporal (IMC), foram utilizados os pontos de corte preconizados pela Organização Mundial da Saúde9: baixo peso (IMC < 18,5kg/m2); eutrofia (IMC > 18,5 e < 25,9kg/m2); sobrepeso (IMC > 25kg/m2 e < 30 kg/m2), obesidade grau 1 (IMC > 30 e <35 kg/m2), obesidade grau 2 (IMC > 35 e < 40 kg/m2), obesidade grau 3 (IMC > 40 kg/m2).

Os dados foram analisados no software SPSS 14.0 (Statistical Package to Social Sciences). Adotou-se o nível de significância estatística (á) de 5%. As variáveis com distribuição normal foram expressas por meio de média e desvio padrão e as que não apresentavam esta distribuição, pelo uso da mediana, e intervalo interquartílico. Foi utilizado o teste t de Student para variáveis normais e o teste não paramétrico de Mann-Whitney para variáveis não normais. Para a comparação de três ou mais grupos, foi implementado o teste de Análise de Variância (One Way) ou o teste não paramétrico de Kruskal-Wallys. Nas análises das variáveis antropométricas foi implementado o teste de Qui-quadrado de Pearson ou Teste de Fisher.

Esse projeto foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Moinhos de Vento e todas as mulheres que aceitaram participar do estudo assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

Resultados

Das 331 mulheres convidadas para participar da pesquisa, 14 não aceitaram, representando 4,2% de recusa. A média de idade das participantes foi de 52,3 anos (DP = 8,4 anos). Quando a escolaridade foi medida em anos de estudo, obteve-se média de 6,2 anos (DP = 3,6). Categorizando-se a variável escolaridade em nível de instrução, verificou-se que a maior parte das entrevistadas referiu ter cursado o ensino fundamental incompleto (55,2%), conforme é mostrado na Tabela 1. A mediana da renda familiar obtida foi de R$ 800,00, variando de R$ 60,00 a R$ 5.000,00.

 

Verificou-se que 30% das investigadas eram bebedoras, 36,6% se declararam ex-bebedoras e as restantes informaram nunca terem bebido. Dentre o grupo de mulheres bebedoras, 6,6% declararam que em algum momento da vida tiveram o hábito de beber diariamente. A idade média de exposição ao álcool pela primeira vez foi aos 22 anos (DP = 7,3 anos), sendo que a idade mínima mencionada foi de 10 anos. Quanto ao número de drinques consumidos por semana, considerando que um drinque contém 10 ml de álcool, a mediana de consumo foi de aproximadamente dois drinques semanais. A bebida mais consumida foi a cerveja, referida por 60% das mulheres.

A circunferência média da cintura obtida foi de 96,8 ± 11,5cm. Na avaliação do estado nutricional, observou-se que o sobrepeso foi o mais prevalente em toda a amostra, acometendo 39,4% das participantes, seguido da obesidade, com 34,3%. Ainda, evidenciou-se que as bebedoras apresentaram maior proporção de sobrepeso (43,2%), quando comparadas àquelas que não consumiam a substância (37,8%), porém essa diferença não foi significativa (p = 0,948), conforme é mostrado na Tabela 2.

Ao analisar-se a associação entre consumo de bebida alcoólica e escolaridade, observou-se que as investigadas com maior grau de instrução (ensino fundamental completo, ensino médio completo e incompleto) consumiam maior quantidade de álcool, quando comparadas às mulheres com menor escolaridade (analfabetas) que referiram consumir menor quantidade da substância (p = 0,010). Analisando por anos de estudo, a significância permaneceu, na medida em que aquelas com mais tempo de estudo utilizavam maior quantidade de álcool, tanto na categoria Consumo de Álcool (p = 0,003), quanto na categoria Contato com Álcool (p = 0,008), conforme é mostrado na Tabela 3. Em relação às associações entre renda familiar e os grupos Consumo de Álcool e Contato com Álcool, não se obteve diferença entre os grupos, p = 0,076 e p = 0,180.

 

Discussão

O presente estudo indicou que a alta ingestão de álcool esteve relacionada à maior escolaridade, porém não à renda. Nossos resultados estão de acordo com os sumarizados por Polich e Kaebler19 que, baseados nos resultados de inquéritos realizados nos EUA, entre 1964 e 1979, verificaram associação entre a abstinência e os níveis de renda inferiores. É possível que a renda mais elevada facilite o acesso à aquisição de bebidas alcoólicas e contribua para uma vida social mais ativa, estimulando o consumo de bebida alcoólica. Tal hipótese fica clara com um estudo de coorte conduzido por Elbreder et al.20, no qual foram acompanhadas 192 mulheres por 6 anos. Foi observado que o maior nível de escolaridade, bem como a independência financeira e o trabalho fora de casa, contribuem para a maior ingestão de bebida alcoólica entre o sexo feminino20,21.

No Brasil, o estudo da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL)6 mostrou relação positiva entre a maior escolaridade e o maior consumo de bebidas alcoólicas. O I Levantamento Nacional Sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira8 mostrou que o maior percentual de bebedores está na região sul do país e que os mesmos se concentram nas classes econômicas mais favorecidas. Uma metanálise realizada com homens e mulheres (n = 36.034) provenientes de dez países europeus, com idade entre 35 a 74 anos, investigou o consumo de álcool em relação à ingestão de nutrientes e peso corporal. Os autores observaram que mulheres com maior consumo de álcool apresentaram maior escolaridade quando comparadas àquelas participantes que não bebiam22. O estudo mostrou ainda que a casa de amigos e bares foram os lugares nos quais os voluntários referiram beber mais. Tabela 1. Descrição da amostra conforme variáveis socioeconômicas e demográficas.

Devido ao alto teor calórico do álcool, sua relação com a obesidade tem sido foco de diversas pesquisas, porém os resultados ainda permanecem contraditórios23-28. Embora o presente estudo não tenha verificado associação significativa entre o sobrepeso e o consumo da bebida (p = 0,940), conforme é mostrado na Tabela 2, nossos achados indicaram que as mulheres com sobrepeso foram as que referiram consumir maior quantidade de bebida alcoólica (43,2%), quando comparadas àquelas que não consumiam (37,8%), corroborando com os achados de outros estudos como o de Rodríguez-Martín et al.28 que mostrou maior consumo da bebida entre mulheres com sobrepeso e acima de 64 anos. Por outro lado, Sieri et al.22, no estudo Europeu de Investigação Prospectiva em Nutrição e Câncer (EPIC), verificaram que as mulheres que mais bebiam apresentaram menor IMC do que aquelas que não bebiam22. A falta de associação significativa no presente estudo talvez possa ser justificada pelo fato de não terem sido avaliadas variáveis que poderiam estar atuando como potenciais confundidores na relação entre o excesso de peso e o consumo de álcool.

O delineamento transversal, apesar das vantagens quanto ao tempo e custos, apresenta algumas limitações, como não permitir realizar inferências sobre causalidade. Entretanto, as variáveis que foram identificadas no presente estudo foram consistentes com aquelas aferidas em estudos de coorte e ensaios clínicos29,30. A tendência de os participantes da pesquisa subestimarem o consumo de álcool durante um estudo é conhecido31. Em estudos de avaliação de consumo de álcool, o autorrelato pode ser afetado pelo viés de memória e pela omissão de informações quanto à percepção de quantidade de bebida ingerida. A mensuração de alcoolismo é controversa e a metodologia utilizada pode subestimar a prevalência de consumo abusivo32. Por outro lado, como ponto positivo do estudo, pode-se destacar a baixa taxa de recusa das participantes (4,2%), o que garante a representatividade da amostra. Além disso, os dados obtidos foram coletados e não foram provenientes de outras bases de dados.

O presente estudo mostrou relação positiva entre o consumo de álcool e a escolaridade, também uma tendência positiva entre o sobrepeso e a ingestão da bebida, porém não evidenciou associação entre renda e o uso da substância. Para se estudar a prevalência de alcoolismo e dos problemas a ele associados, diferentes delineamentos de investigação têm sido adotados. Se, por um lado, alguns deles são de menor custo ou de execução mais simples, por outro, seus resultados podem sofrer severas restrições. Esta diversidade de métodos tem levado a uma grande variabilidade nos achados33. No entanto, a comparação de resultados obtidos por meio de inquéritos populacionais se torna complexa em decorrência da adoção de critérios distintos para definir alcoolismo e da escolha do instrumento de coleta de dados. Em vista disso, é necessário que sejam desenvolvidos estudos com delineamentos prospectivos para que as associações de causa e efeito possam ser esclarecidas, permitindo a implementação de ações de saúde que visem diminuir o consumo abusivo de álcool, principalmente entre mulheres.

Colaboradores

GH Cibeira, C Muller, R Lazzaretti, GA Nader e Maira Caleffi participaram igualmente de todas as etapas de elaboração do artigo.

Agradecimentos

Esta pesquisa foi realizada no âmbito do Projeto Moinhos Restinga Extremo-Sul, de acordo com o Projeto de Apoio ao Desenvolvimento do Sistema Único de Saúde firmado entre o Ministério da Saúde e a Associação Hospitalar Moinhos de Vento (AHMV). Agradecemos a todas as participantes desta pesquisa.

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Artigo apresentado em 11/04/2012
Aprovado em 31/05/2012
Versão final apresentada em 09/06/2012


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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