28 de setembro de 2020

Consumo de álcool e drogas e comportamento sexual

7 de setembro de 20099min

ABEAD
A revista de Saúde Publica publicou um suplemento especial com os primeiros resultados da
pesquisa “Comportamento Sexual da População Brasileira e Percepções do HIV/AIDS”, de 2005,
ora cotejados e contrastados com os resultados anteriores (de 1998). Essa edição traz diversos
artigos referentes o comportamento sexual do brasileiro incluindo a questão do uso do álcool e
outras drogas.
Acesse aqui na integra o índice de artigos dessa publicação:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0034-891020080008&lng=pt&nrm=iso
Consumo de álcool e drogas: principais achados de pesquisa de
âmbito nacional, Brasil 2005
Rev. Saúde Pública v.42 supl.1 São Paulo jun. 2008
Francisco I Bastos; Neilane Bertoni; Mariana A Hacker; Grupo de Estudos em População,
Sexualidade e Aids
O uso abusivo de bebidas alcoólicas e outras substâncias psicoativas constitui problema
relevante nas sociedades contemporâneas. Em se tratando das denominadas drogas ou
substâncias psicoativas ilícitas, como a cocaína, existe um clamor social e uma hiper-exposição
do tema na mídia, que diz respeito à questão e suas inter-relações com a violência urbana.
Os dados analisados referem-se aos achados da pesquisa “Comportamento Sexual e Percepções
da População Brasileira Sobre HIV/Aids”, realizada em 2005, e cotejados com pesquisa similar
realizada em 1998. Foram entrevistados 5.040 indivíduos de ambos os sexos, na faixa etária de
16 a 65 anos. A metodologia da pesquisa está descrita em Bussab & GEPSAIDS. A pesquisa
anterior, realizada em 1998, teve mesmos objetivos, cujos achados básicos foram
sistematizados em publicação do Ministério da Saúde.
Ambas as pesquisas têm por base amostras representativas da população urbana brasileira, a
partir de microáreas definidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O plano
amostral, estratificado em múltiplos estágios, sorteou, em cada micro-região, sucessivamente,
setores censitários, domicílios particulares e indivíduos maiores de 16 anos. Os dados
analisados referem-se aos pós-estratos, definidos a partir de ponderações que corrigem a
probabilidade de inclusão dos domicílios na amostra.
Ponderações referentes ao desenho amostral foram consideradas utilizando-se comandos do
módulo “svy” (surveys commands) do pacote estatístico Stata, que levam em consideração os
pesos, estratos e unidades primárias da amostragem.
No presente artigo, foram utilizadas duas variáveis-desfecho, uma referente ao uso regular de
álcool e outra ao uso de drogas. A primeira foi obtida a partir da questão: “Em algum momento
da sua vida você passou a beber regularmente (mais do que 4 vezes por semana)?”. A segunda
refere-se à pergunta: “À exceção de álcool e cigarro, você já usou algum tipo de droga?”. Essas
variáveis foram dicotomizadas, assumindo, em cada uma das questões acima mencionadas,
valor 1 para resposta afirmativa e zero para resposta negativa.
Foram investigadas variáveis relacionadas a características sociodemográficas (e.g. idade, sexo,
estado civil, faixa etária, cor), questões relativas à religião (e.g. se o lar em que foi criado era
religioso, religião atual, a importância da religião na vida do indivíduo) e questões relacionadas
à vida pessoal (e.g. o que faz nas horas de lazer, se já sofreu violência sexual), dentre outras.
O uso de bebidas alcoólicas na vida foi relatado por 86,7% dos entrevistados. Desses, 26,5%
afirmaram que não bebiam mais, 37,1% disseram beber raramente, 2,7% ingerir bebidas
alcoólicas até duas vezes por semana e 4,9% referiram beber três ou mais vezes por semana
Comparando-se os resultados relativos ao uso regular de álcool entre os indivíduos residentes
nas diferentes regiões brasileiras, observou-se 28,4% deste consumo na região Centro-Oeste,
18,8% na região Nordeste, e 18% na Sudeste. Nas regiões Sul e Norte a proporção de
indivíduos que referiram fazer uso regular de bebidas alcoólicas correspondeu a 13,7% e
13,8%, respectivamente.
O uso de drogas (que não o álcool ou tabaco) na vida foi relatado por 8,9% dos entrevistados.
Entre esses entrevistados, 80,1% utilizaram maconha/haxixe na primeira vez em que
consumiram drogas ilícitas. Outras drogas freqüentemente mencionadas quando da primeira
vez em que os entrevistadores consumiram drogas ilícitas foram “cheirinho da loló”/”lançaperfume”
(6,9%) e cocaína em pó, aspirada (6%). Na primeira vez em que utilizaram drogas,
79,6% referiram ter obtido a droga com amigos, parentes ou conhecidos; 8,3% em pontos de
venda, e 5,8% nas escolas. Foram raramente mencionadas farmácias/médicos, festas e casas
de prostituição.
Dos indivíduos que referiram uso anterior de alguma droga, 40% (3,5% do total) referiram ter
consumido drogas nos 12 meses anteriores à entrevista. Maconha/haxixe (65,3%) foram as
drogas mais freqüentemente consumidas nos últimos 12 meses, com proporções decrescentes
para cocaína aspirada (14,5%) e cheirinho da loló/lança-perfume (5%). Entre os entrevistados
que relataram ter feito uso de drogas na vida (0,1% do total) 1,1% referiu ter utilizado drogas
injetáveis nos últimos 12 meses.
A proporção de entrevistados que relatou ter feito uso de drogas (que não o álcool e cigarro)
na vida foi maior entre os homens (13,2%) do que entre as mulheres (5%). Este consumo
parece ser maior nas faixas etárias mais jovens, de 16-24 e 25-36 anos (11,7% e 12,1%,
respectivamente), se comparados aos entrevistados de faixas etárias mais velhas (8,8% entre
aqueles entre 34-46 anos e 3,1% entre aqueles entre 47-65 anos).
Na região Sudeste, foi registrada a maior proporção de indivíduos que relataram uso de drogas
(10,8%), com proporções decrescentes de consumo de drogas entre os entrevistados
residentes em municípios das regiões Centro-Oeste (9,2%), Nordeste e Sul, com proporções
similares – 6,5% e 6,4%, respectivamente, e com proporções mais baixas entre os
entrevistados da região Norte (5,8%).
Comparando-se os dados da pesquisa realizada em 1998 com os dados da pesquisa de 2005,
observou-se redução na proporção de indivíduos que referiram ter utilizado drogas (que não o
álcool ou tabaco) em algum momento das suas vidas, de 12,5%, em 1998, para 8,9%, em
2005 (Figura 1). Essa tendência foi observada entre os homens (de 18,1%, em 1998, para
13,2%, em 2005) e mulheres (7,4%, em 1998, e 5,0%, em 2005).
Leia o artigo na íntegra: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
89102008000800013&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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