19 de setembro de 2020

Avaliação longitudinal da lei antifumo no consumo de álcool em bares e casas da Escócia

20 de novembro de 20095min

CISA

Diversos estudos mostram a forte associação entre o consumo de álcool e o de tabaco. Fumantes têm um risco de 4 a 10 vezes maior de desenvolver transtornos relacionados ao uso de álcool (abuso e dependência) do que não-fumantes; e o hábito de fumar também é altamente correlacionado ao comportamento de beber pesado (definido pelo NIAAA, Instituto sobre Álcool e Alcoolismo dos EUA, como o consumo de mais de 14 doses/semana para homens, mais de 7 doses/semana para mulheres). Além disso, observa-se que o consumo de álcool pode levar a um maior consumo de tabaco, e vice-versa.

Como parte de um projeto internacional de avaliação das políticas de controle do tabaco (“International Tobacco Control Policy Evaluation Project”), foram realizados estudos em vários países sobre os efeitos de legislações antifumo. Na Escócia, levando-se em consideração essa forte associação entre o consumo de álcool e o de tabaco, pesquisadores investigaram o impacto da lei antifumo no comportamento de beber entre fumantes, avaliando-se o consumo de álcool antes e um ano após a implementação da lei.

Como a lei antifumo é restrita a ambientes públicos fechados, havia a possibilidade de que os fumantes deixariam de ir a bares devido à lei, e que então passariam a consumir mais álcool em suas residências. Assim, esse estudo também analisou se o consumo de bebidas alcoólicas havia aumentado ou diminuído em bares e nas residências após a lei antifumo, ou seja, se o local de consumo de álcool havia mudado por causa da lei. Para comparar os efeitos da lei antifumo na Escócia foram coletados dados no restante do Reino Unido (Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte), pois nesses locais não havia política antifumo regularizada, ao menos durante o período de realização do estudo.

De acordo com o esperado, durante todo o estudo os fumantes consumiram mais álcool do que não fumantes. Antes da lei antifumo, em geral não havia diferenças no consumo de álcool entre as amostras analisadas da Escócia (N = 525) e do restante do Reino Unido (N = 534). Após a lei antifumo, os escoceses fumantes diminuíram o consumo de álcool em bares, em comparação a fumantes do restante do Reino Unido. Em especial, fumantes bebedores pesados diminuíram em 47,5% o consumo de álcool em bares na Escócia, sem que houvesse aumento no consumo de álcool nas residências.

Não houve alteração geral na freqüência a bares, mas sim uma alteração no perfil dos clientes. Os fumantes bebedores (moderados ou pesados) diminuíram suas idas a bares após a lei antifumo na Escócia, porém, poucos escoceses fumantes abstêmios e não-fumantes (abstêmios ou bebedores) relataram ir menos freqüentemente aos bares.

A diminuição de quase 50% no consumo de álcool entre fumantes bebedores pesados após a lei antifumo está de acordo com outros estudos, que sugerem que as interações entre o álcool e o tabaco são ainda mais pronunciadas em bebedores pesados. Os autores ainda sugerem que esses resultados indicam que as restrições no consumo de tabaco podem levar a benefícios adicionais à saúde pública, como diminuição no consumo de álcool entre indivíduos que fazem o uso abusivo de álcool.

 

Título: Longitudinal evaluation of smoke-free Scotland on pub and home drinking behavior: Findings from the International Tobacco Control Policy Evaluation Project

 

Autores: McKee SA, Higbee C, O’Malley S, Hassan L, Borland R, Cummings KM, Hastings G, Fong GT, Hyland A.

 

Fonte: Nicotine and Tobacco Research

 

IF: 2,54

 


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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