Alcoolismo e família: a vivência de mulheres participantes do grupo de autoajuda Al-Anon

5 de janeiro de 20104min

Alcoholism and family: the experience of women members who participate in self-help group Al-Anon
Carmen Lúcia Alves Filzola1, Priscila Tagliaferro1, Andrea Santos de Andrade1, Sofia Cristina Iost Pavarini1, Noeli Marchioro Liston Andrade Ferreira1
1 Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Departamento de Enfermagem.

iNTRODUÇÃO
O álcool tem posição elevada entre as causas de várias doenças. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2000), dentre os vários efeitos ocasionados pelo uso abusivo do álcool destacamos enfermidades como: cirrose hepática, transtornos mentais, pancreatite e câncer, os acidentes no trânsito, além de altos custos econômicos e sociais, decorrentes dos gastos com saúde e outros problemas relacionados ao seu uso indevido, como o aumento do índice de violência, conflitos familiares e prejuízos no trabalho.
As diretrizes do Ministério da Saúde para inclusão da saúde mental na atenção básica apontam o desenvolvimento de ações de mobilização de recursos comunitários. Nesse sentido, destacam a relevância da articulação intersetorial com vários recursos, dentre eles, os grupos de autoajuda. Os grupos de autoajuda são considerados importantes fontes de apoio, pois reúnem pessoas com o mesmo objetivo, dificuldades, necessidades e podem colaborar com o apoio necessário às pessoas e suas famílias. Em estudos sobre alcoolismo é reconhecida a importância do grupo de apoio Alcoólicos Anônimos (AA), entretanto, poucos fazem referência ao grupo de autoajuda para familiares de alcoolistas, o Al-Anon.

RESUMO
Objetivo: Compreender a vivência de familiares que frequentam o grupo de apoio Al-Anon diante da experiência do alcoolismo. Método: A pesquisa foi realizada com 6 mulheres, das 10 convidadas, que frequentam o grupo de autoajuda Al-Anon. A coleta de dados se deu através de entrevistas semiestruturadas. Os referenciais teórico e metodológico que embasaram a análise qualitativa foram o Interacionismo  Simbólico e a Teoria Fundamentada nos Dados, em seus passos iniciais. Resultados: Os dados resultaram em 3 categorias conceituais: 1) Negando o alcoolismo e sofrendo suas consequências; 2) Buscando ajuda, aprendendo com o grupo; e 3) Esperando a cura, experimentando a sobriedade e enfrentando as recaídas. Além do apoio da própria família e da religião, as mulheres apontaram a importância do grupo de autoajuda para ampará-las no enfrentamento dos problemas decorrentes do alcoolismo. Conclusão: Esperamos que os resultados desta pesquisa possam contribuir para a valorização do suporte oferecido pelo Al-Anon, estimular novos estudos  na área e fortalecer, entre os profissionais de saúde, o reconhecimento do grupo como recurso importante de apoio efetivo às famílias.

na íntegra: Al_Anon_Scielo.pdf


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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