28 de setembro de 2020

Álcool e amamentação

31 de março de 20092min

Entrevista – Dr. Drauzio Varella
Drauzio – Quais os inconvenientes do consumo do álcool durante a amamentação?
Ronaldo Laranjeira – Durante muitos anos, foi voz corrente que cerveja preta ajudava a estimular a produção de leite materno. Não existe nenhuma evidência de que isso seja verdade, mas é certo que o álcool passa para a criança pelo leite materno em quantidades menores do que passa pela placenta.
Além disso, a repercussão da toxicidade alcoólica é menor na amamentação, porque a criança está mais bem formada e o álcool é absorvido junto com o leite.
Drauzio – As pessoas portadoras de hepatite crônica, mesmo as que consumiam álcool com regularidade, em geral, obedecem à recomendação médica de nunca mais beber. Você não acha que os médicos também deveriam ser categóricos ao proibir a ingestão de álcool durante a gravidez e a amamentação?
Ronaldo Laranjeira – Eu iria mais longe. A proibição deveria ser firme em relação ao álcool ou a qualquer outra substância  tóxica, como a maconha e a cocaína, por exemplo. As evidências estão cada vez mais consistentes de que os danos provocados pelo consumo dessas drogas na gravidez superam até mesmo os provocados pelo cigarro.


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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