Lei Seca: Brasil registra 23 multas por hora por dirigir sob efeito de álcool

A Lei Seca, que completou 18 anos, continua sendo uma das principais medidas de combate à combinação entre álcool e direção no Brasil. Segundo levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o país registra, em média, 23 multas por hora para motoristas flagrados dirigindo sob influência de álcool ou outras substâncias psicoativas, além de casos de recusa ao teste do bafômetro.
Desde a entrada em vigor da legislação, em 2008, foram aplicadas mais de 3,7 milhões de infrações. Desse total, cerca de 1,26 milhão corresponde a motoristas que foram identificados dirigindo após consumir álcool ou substâncias que comprometem a capacidade de condução. Outros 2,45 milhões de registros envolvem condutores que se recusaram a realizar o teste do bafômetro ou outros procedimentos de comprovação.
Os períodos com maior número de autuações são fevereiro, durante o Carnaval, e dezembro, devido às festas de fim de ano. As ocorrências também aumentam na madrugada, horário associado ao maior consumo de bebidas alcoólicas e à saída de eventos.
O levantamento mostra ainda que a maioria dos infratores são homens, com idade média de 39 anos. São Paulo aparece como o estado com maior número de registros, acompanhando o tamanho da frota de veículos e da circulação de motoristas.
A legislação brasileira estabelece tolerância zero para álcool ao volante. O motorista flagrado dirigindo sob influência de álcool pode receber multa de R$ 2.934,70, ter o direito de dirigir suspenso e, em casos mais graves, responder criminalmente. A recusa ao bafômetro também é considerada infração gravíssima e possui penalidades semelhantes.
Além das consequências legais, especialistas alertam que o álcool prejudica funções essenciais para a direção, como atenção, percepção, tempo de reação e tomada de decisões. O consumo pode aumentar a impulsividade, reduzir a avaliação dos riscos e elevar a chance de acidentes graves.
A Lei Seca representa um avanço na prevenção de mortes e lesões no trânsito, mas os números mostram que o comportamento de dirigir após beber ainda é um desafio de saúde pública e segurança.
