O preço do alerta falso: quando a desinformação invade a madrugada, os prejuízos vão muito além de uma noite mal dormida

Um alerta falso de emergência pode causar consequências que vão muito além de uma noite interrompida. Ao receber uma mensagem alarmante, o cérebro humano ativa mecanismos naturais de defesa: o organismo entra em estado de vigilância, aumenta a sensação de ameaça e reage antes mesmo que a informação seja confirmada.
Mesmo após a correção de um alerta falso, o impacto emocional pode permanecer. Crianças, idosos e pessoas em maior vulnerabilidade emocional, como aquelas que enfrentam ansiedade, insônia ou experiências traumáticas, podem sentir de forma mais intensa o medo e a insegurança provocados por uma informação inesperada.
O episódio também trouxe discussões sobre misantropia, termo que descreve uma atitude de aversão, desconfiança ou desprezo em relação à humanidade. É importante esclarecer que misantropia não é sinônimo de transtorno psíquico e não constitui, por si só, uma condição clínica. O conceito representa uma visão ou postura diante das relações humanas e não deve ser confundido com diagnóstico psiquiátrico.
Outro ponto fundamental é evitar associações equivocadas entre comportamentos irresponsáveis ou atos de violência e transtornos mentais. A maioria das pessoas com transtornos psíquicos não apresenta comportamento violento e frequentemente enfrenta preconceito e estigma.
A desinformação, especialmente quando aparece com aparência de autoridade, pode gerar medo coletivo, comprometer a confiança e afetar o bem-estar emocional da sociedade. Cuidar da qualidade das informações também é uma forma de cuidar da saúde mental.
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*Antônio Geraldo da Silva é médico formado pela Faculdade de Medicina na Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. É psiquiatra pelo convênio HSVP/SES – HUB/UnB. É doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto – Portugal e possui Pós-Doutorado em Medicina Molecular pela Faculdade de Medicina da UFMG.
