Por que falar de suicídio – Os sobreviventes do suicídio convivem com um sofrimento peculiar, carregado de solidão e culpa

19 de abril de 20183min

Nós não fomos treinados a pensar na morte. A falar dela. Especialmente de suicídio, essa morte voluntária e violenta, em que assassino e vítima são um só. O suicídio nos faz transgredir o instinto humano mais básico. Esmaga a autoestima de quem fica, os insuficientes. Confunde. Como alguém tem coragem? Será que eu teria? Dó e repulsa se misturam no julgamento que, inevitavelmente, se segue. E o que é apropriado dizer para quem acabou de passar por uma perda dessa dimensão? As reações tendem a se dividir entre os que se calam, constrangidos, e os que falam, sem freios, o que lhes vem à cabeça. “‘Você é nova, vai ter outro filho’. Como se um filho substituísse outras pessoas. ‘Quem tem um filho não tem nenhum.’ ‘Você não viu? Foi assim, do nada? Ué, se ela tava com depressão, por que vocês não cuidaram?’ ‘Você não sabia que ela não podia ficar sozinha? Por que você deixou?’”, Terezinha lembrou os comentários que ouviu dias após a morte da filha.

“Todos nós passamos pelo processo de luto, uma reorganização psíquica depois de uma perda significativa. É um processo universal, mas também muito particular. Cada um expressa seu luto de acordo com suas características pessoais. E o suicídio está no espectro das mortes inesperadas, que incluem acidentes e violência. Há o agravante das perguntas: por que a pessoa não quis viver? Será que eu, parente, não fui o suficiente para a pessoa querer permanecer viva?”, disse Maria Júlia Kovács, coordenadora do Laboratório de Estudos da Morte da Faculdade de Psicologia da USP. Além disso, ela acrescentou, para pessoas religiosas a questão pode ser ainda mais traumática. Nenhuma religião ocidental autoriza, permite ou referenda o suicídio — a maioria condena o ato. 

Veja mais em: https://epoca.globo.com/sociedade/noticia/2018/04/por-que-falar-de-suicidio.html


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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