Homenagem ao mês do psiquiatra – Dr. Elson Asevedo

13 de agosto de 20239min30
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*Por Adriana Moraes

“Estar ao lado de alguém que sofre não é uma tarefa simples, em especial o sofrimento psíquico. Há que se ter conhecimento técnico, mas também uma atitude compassiva”. Dr. Elson Asevedo

A psiquiatria é uma das mais importantes áreas da medicina que estuda o adoecimento e o sofrimento mental e neste mês em que comemoramos o dia do psiquiatra, tivemos a honra de conversar com o Dr. Elson Asevedo, diretor do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental da Vila Mariana (CAISM), gerenciado pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).

Dr. Elson está sempre nos orientando através de suas inúmeras palestras, entrevistas, aulas, lives, hoje representando todos os psiquiatras, receberá nossos aplausos por todo seu empenho e dedicação ao trabalho, a saúde mental e a psiquiatria.

Neste texto em homenagem ao dia do psiquiatra, vamos conhecer a rotina de trabalho do Dr. Elson no CAISM Vila Mariana, o que o motivou a estudar e trabalhar na prevenção ao suicídio, um tema delicado que muitos preferem nem tocar no assunto e outro ponto importante, no final da entrevista nosso convidado especial deixou uma mensagem de incentivo para aqueles que pretendem atuar na área da saúde mental.

Acompanhe a entrevista:

Por que o Sr. tem orgulho de ser psiquiatra?

Estar ao lado de alguém que sofre não é uma tarefa simples. Em especial o sofrimento psíquico. Há que se ter conhecimento técnico, mas também uma atitude compassiva. Há que se ter segurança, mas também humildade diante do outro e da sua história. Vejo diariamente pessoas enfrentando seus momentos mais difíceis, sentindo-se no limite, no fundo do poço. E vejo suas escolhas, seus esforços para um caminho de recuperação. Não há um encontro desses que não seja de muito aprendizado que é ser humano. Sinto que é um privilégio.

O Sr. foi o 1º Diretor Técnico da Unidade Recomeço Helvétia (unidade de tratamento para dependência de crack situada na região popularmente conhecida como cracolândia, no centro de São Paulo), quais foram as maiores dificuldades desta gestão?

A Unidade Recomeço Helvétia é uma iniciativa robusta e inovadora no cuidado com pessoas em situação de extrema vulnerabilidade decorrentes da dependência de crack. Trata-se de uma unidade com uma linha de cuidado completa para o usuário. Fiquei muito honrado quando o prof. Ronaldo Laranjeira, idealizador do projeto, e o prof. Nacime Mansur me indicaram para coordenar a equipe que implantou a unidade. Como a unidade estava sendo montada, o grande desafio foi transmitir a filosofia de trabalho para a equipe, para as outras unidades de saúde da região, para a comunidade e para os próprios usuários de crack. Implantar uma forma de trabalho nova gera dúvidas, receios. A ideia central era que a unidade deveria estar pronta para oferecer a complexidade de cuidado que o usuário precisava. Poderia ser o simples acesso a banheiro limpo, um copo de água, um corte de cabelo. Mas também poderia ser a demanda de acesso ao tratamento especializado para dependência de crack, incluindo atendimento médico, psicológico, apoio social, avaliação médica de urgência ou mesmo internação hospitalar. A unidade deveria ser capaz de transitar por essas demandas com rapidez e eficiência. Foi um período muito rico da minha vida profissional.

Como é sua rotina de trabalho como Diretor Técnico do CAISM Vila Mariana?

O diretor técnico é o responsável tanto pelos aspectos administrativos quanto pelas ações de saúde realizadas pela unidade. Assim, a rotina é repleta de reuniões, documentos, relatórios, avaliações e reflexões. No final das contas o principal é sempre pensar em como melhorar o serviço prestado pela unidade, como tornar a experiência do usuário ainda melhor. Todos os esforços são nessa direção.

Qual foi seu trabalho ou experiência mais marcante?

Meu trabalho mais marcante foram os meus anos trabalhando na região da cracolândia. Quando penso que alguns milhares de pessoas circulam pela cracolândia, expostas a violência, privação de alimentos, água, segurança, chego a conclusão que quem trabalha para o cuidar dessas pessoas e mitigar esse problema de saúde pública faz um trabalho pela humanidade. Tenho muito orgulho de ter participado desse trabalho.

Dr. Elson, o Sr., tem se dedicado ao estudo sobre a prevenção ao suicídio, o que o motivou a estudar e trabalhar com esse tema?

Considero que o Brasil tem muito o que avançar nas estratégias de prevenção de suicídio. As taxas de suicídio tem aumentado significativamente no país nos últimos 40 anos. Essa percepção me estimulou a estudar profundamente o tema e planejar algumas ações práticas de prevenção de suicídio.

Qual a importância do programa“Conversas de Vida – Centro de Promoção de Esperança e Prevenção de Suicídio”? Como ajudar alguém com risco de suicídio?

O Conversas de Vida foi o resultado de vários anos de estudo e trabalho na área de prevenção de suicídio. Como apoio de diversos professores do departamento de psiquiatria da UNIFESP e da Escola Paulista de Enfermagem, montamos um grupo de ensino, pesquisa e atendimento focado em prevenção de suicídio. Trata-se de uma equipe multiprofissional, com médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e enfermeiros. Oferecemos atendimento a pessoas em risco de suicídio, realizado no ambulatório do CAISM da Vila Mariana. Mas também temos uma linha de pesquisa no campo da prevenção de suicídio. O objetivo é contribuir para a redução das taxas de suicídio no Brasil.

Para finalizar, deixe uma mensagem para quem deseja atuar na área da saúde mental.

Trabalhar em saúde mental é uma tarefa das mais recompensadoras. Claro, exige muito preparo pessoal e profissional. Exige muita disponibilidade para estar ao lado de quem sofre. Mas o que se ganha de contato com o genuinamente humano no outro, o que se aprende sobre a vida e as formas de viver, é imensurável.

Agradecemos a participação do estimado Dr. Elson!
Parabenizamos todos os psiquiatras, todos os médicos da alma, por essa data especial!

*Adriana Moraes – Psicóloga da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) – Especialista em Saúde Mental e Dependência Química – Colaboradora do site da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas).


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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