Programa Recomeço: seis anos de atendimento no Estado de São Paulo

21 de fevereiro de 20199min

Paciente, família e comunidade em volta recebem apoio e orientação, tanto para o tratamento quanto para intervenções

O Programa Recomeço, criado pelo Governo de São Paulo, completa seis anos de existência em 2019. A ação oferece apoio às famílias de dependentes químicos e chega a atender cerca de 3 mil pessoas diariamente, em todo o território paulista.

O objetivo é proporcionar condições para uma vida saudável e digna à população, bem como auxiliar os adictos, suas famílias e toda a comunidade à sua volta. Com esse círculo, de acordo com especialistas, a trilha para uma recuperação plena é bem mais tranquila e garantida. A iniciativa tem participação das secretarias de Estado da Saúde, Justiça e Cidadania e Desenvolvimento Social.

As mães dos pacientes procuram orientação no chamado “Recomeço Família”, um braço do Programa Recomeço. Os principais motivos que levam os familiares até o programa são informações para lidar melhor com a situação, além da busca por tratamento e, em casos mais agudos, por internações temporárias que auxiliem no processo.

O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que é também coordenador do Programa Recomeço, explica que a maior parte das pessoas que começam a usar drogas acham que elas melhorarão sua vida. Elas imaginam, por intermédio de amigos que já usaram, que os entorpecentes têm um efeito positivo.

“A busca acontece motivada por uma experiência social ou então para relaxamento. Elas usam ou começam a experimentar para que a vida fique mais interessante e tenha esse conjunto de prazeres”, ressalta.

Experiências

Robson Manoel Silva, internado pelo Programa Recomeço, conta que sua história com as drogas começou aos 14 anos, fumando maconha. “Com 15 anos, eu já cheirava cocaína e com 22 anos o crack entrou forte na minha vida. Essa droga faz você virar, praticamente, um lixo, porque você não se cuida, não se trata, não se alimenta. Espero sair daqui e seguir com o tratamento para viver livre das drogas”, comenta.

O menor G.N.A, de 15 anos, começou a usar drogas por curiosidade. “Acabei me envolvendo e algumas pessoas passaram a me valorizar depois que comecei a usar drogas. Foi assim que fiquei viciado”, revela.

Karina Gonçalves da Silva, de 23 anos, também experimentou pela primeira vez com 15 anos, ao lado dos outros dois irmãos. “Entrei no crack para emagrecer e faz oito anos que estou viciada. A gente acha que usando droga vai se sentir mais liberta, mas, na verdade fica, ainda mais presa”, avalia.

Grávida, ela seguiu usando a droga. Porém, depois de fazer a primeiro ultrassom, ela decidiu dar um basta à situação. “Ao ouvir o coração, decidi que não quero que meu filho nasça com algum problema”, conta.

Atividades

Quando um membro da família começa a usar drogas, dedica um maior tempo ao vício e vai abandonando suas atividades. Ele se afasta das atividades às quais estava integrado e se torna um estranho no convívio diário.

“O que os usuários menos pensam na fase da experimentação é sobre os efeitos negativos das drogas. A partir do momento em que a pessoa tenha o interesse em usar, as consequências ficam de lado”, comenta Laranjeira.

Os sinais de que o filho estava usando drogas chegaram para Avandete Ribeiro por meio de uma agitação incomum, pela necessidade de sair a todo momento e as festas diárias. “Eu ia atrás dele e o achava muito estranho. Não era o mesmo menino de antigamente. É preciso ficar atenta porque, quando os filhos estão sob o efeito da droga, eles mentem muito, então não sabemos o que realmente está acontecendo”, salienta.

Recomeços reais

Para o coordenador do programa, é importante que, cada vez mais, a sociedade oriente os jovens sobre os malefícios causados pela droga. “Eles precisam saber não só dos efeitos causados, como também qual é o impacto da mudança de seu comportamento através da mudança química de seu cérebro. O uso dessas substâncias desorganiza a química cerebral, sobretudo, de quem está em desenvolvimento”, explica.

Desde 2013, o programa é referência nacional no combate à dependência química. A partir dele, são estabelecidas as formas de tratamento mais adequadas ao perfil do usuário. Um dos sistemas voltados para a reinserção do paciente ocorre por meio do ingresso voluntário às Comunidades Terapêuticas.

No total, o Estado possui mais de 50 unidades, compostas por uma equipe multidisciplinar que atua de acordo com referenciais teóricos e evidências científicas. As comunidades criaram uma metodologia de trabalho: quanto mais atividades são realizadas durante o acolhimento, maiores são as chances de o paciente retomar sua vida próximo da família e, sobretudo, conseguir um emprego.

Capital

Enquanto isso, na capital paulista, um centro de referência no tratamento de dependência química é considerado a porta de entrada do Programa Recomeço no município. Localizado estrategicamente na região da Cracolândia, o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) oferece atendimento 24 horas por dia aos usuários que procuram ajuda médica e psicológica.

Muitos dos pacientes recebem ali mesmo o encaminhamento para o tratamento, de acordo com o seu quadro e nível de intoxicação. Além das Comunidades Terapêuticas, eles podem ser direcionados também a uma avaliação médica ou, em casos menos graves, para um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) do município ou da própria instituição.

Mais informações sobre o Cratod podem ser obtidas no próprio espaço, na Rua Prates, 165 – Bom Retiro – São Paulo. Outros canais são o telefone (11) 3329-4455 ou o e-mail cratod@saude.sp.gov.br.

Fonte: saopaulo.sp.gov.br


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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