Maconha “medicinal”: benefícios limitados e riscos em debate

12 de fevereiro de 20263min52
Anvisa libera venda de produtos à base de cannabis em farmácias - Planta de 'Cannabis sativa', da qual é possível extrair o canabidiol.

A regulamentação do cultivo de Cannabis sativa para fins medicinais no Brasil reacendeu discussões sobre a eficácia e a segurança dos derivados da maconha. Embora a medida tenha sido apresentada como um avanço terapêutico, revisões científicas recentes indicam que as evidências a favor da chamada “cannabis medicinal” são frágeis e inconsistentes.

Um estudo publicado em janeiro de 2026, que analisou pesquisas com mais de 2.100 pacientes, concluiu que os benefícios dos canabinoides não superam os dos tratamentos convencionais nem os do placebo. Os efeitos adversos, por outro lado, são frequentes, especialmente nos produtos com maior concentração de THC, associados a efeitos psicoativos e risco de dependência. Resultados semelhantes foram apontados por uma revisão do Journal of the American Medical Association (JAMA), que afirma não haver evidências suficientes para sustentar o uso desses derivados na maioria das condições clínicas.

No Brasil, entidades médicas como o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) reforçam que não existe “maconha medicinal”. Segundo essas instituições, apenas o canabidiol (CBD) está em investigação científica, e seus possíveis benefícios ainda não podem ser generalizados diante dos riscos já conhecidos.

O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, professor titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), critica a decisão da Anvisa e classifica a liberação do cultivo como “uma bizarrice e uma incongruência”. Para ele, a falta de critérios rigorosos de controle, dosagem e segurança, somada à influência do lobby da indústria dos canabinoides, pode favorecer a normalização do consumo da maconha e ampliar problemas de saúde mental, sobretudo entre adolescentes e jovens.

Experiências internacionais mostram que países mais permissivos vêm revendo suas políticas diante do aumento de impactos negativos. Diante disso, especialistas defendem cautela, rigor científico e informação qualificada no debate sobre o uso medicinal da cannabis.

 
 
Foto de Capa: Kimzy Nanney/Unsplash

Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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