Dia Mundial sem Tabaco: 8 informações importantes para refletir

26 de maio de 20268min38
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*Por Adriana Moraes

O cigarro ainda é uma das principais causas evitáveis de doenças e mortes no mundo. No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, vale reforçar informações importantes sobre os impactos do tabagismo na saúde.

1. A nicotina causa dependência

A nicotina é uma substância psicoativa altamente indutora de dependência. Ela age rapidamente no cérebro, estimulando a liberação de dopamina, o que reforça o comportamento de fumar e dificulta a interrupção do uso.


2. Neurociência e cigarro: como o tabagismo age no cérebro

A neurociência mostra que o cigarro não afeta apenas os pulmões, mas também o funcionamento cerebral e o Sistema Nervoso Central (SNC). A nicotina atua diretamente no sistema de recompensa do cérebro, mecanismo relacionado às sensações de prazer e satisfação.

Esse processo ajuda a explicar por que o tabagismo pode gerar dependência rapidamente. Com o uso frequente, o cérebro passa a associar o cigarro ao alívio, prazer ou redução do desconforto emocional, fortalecendo o hábito de fumar.

Além disso, o uso contínuo da nicotina pode influenciar atenção, memória, humor, ansiedade, controle do estresse e outros mecanismos cerebrais importantes.

3. O pulmão é um dos órgãos mais afetados
O tabaco está diretamente relacionado a doenças pulmonares graves, como bronquite crônica, enfisema pulmonar e câncer de pulmão. A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas que irritam e lesionam o sistema respiratório.
 
4. O cigarro também prejudica quem não fuma
A exposição à fumaça do cigarro aumenta o risco de doenças respiratórias e cardiovasculares em crianças e adultos. O chamado tabagismo passivo também representa um risco importante à saúde.


5. Tabagismo e ansiedade: existe relação?  
Embora muitas pessoas associem o cigarro a uma sensação momentânea de relaxamento, a nicotina pode contribuir para ciclos de ansiedade e dependência. O alívio percebido após fumar costuma estar relacionado à redução temporária dos sintomas de abstinência, o que reforça o uso frequente. Com o tempo, o tabagismo pode impactar humor, estresse e qualidade de vida emocional.

 

6.  Vapes e dispositivos eletrônicos não são inofensivos  

Os cigarros eletrônicos, também conhecidos como vapes, podem conter nicotina e outras substâncias químicas capazes de causar dependência e danos ao organismo. Apesar de muitas vezes serem associados a uma falsa sensação de segurança, esses produtos podem afetar pulmões, coração e a saúde respiratória.  

 

7. Não existe nível seguro de consumo, mas parar de fumar traz benefícios

Mesmo o uso ocasional pode trazer prejuízos à saúde cardiovascular e respiratória. O cigarro aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão e diversos tipos de câncer.Por outro lado, parar de fumar traz benefícios em qualquer idade. O organismo começa a se recuperar pouco tempo após a interrupção do tabagismo, com melhora gradual da circulação, da função pulmonar e redução do risco de doenças graves.
 

8. Estágios motivacionais: parar de fumar é um processo
A interrupção do tabagismo costuma acontecer em etapas. Muitas pessoas passam por diferentes estágios motivacionais até conseguir parar de fumar, como não pensar em mudar o hábito, começar a considerar a mudança, se preparar para parar, tentar interromper o uso e manter a abstinência.

Esse processo pode envolver recaídas, o que não significa fracasso, mas parte do tratamento da dependência da nicotina. O apoio profissional, familiar e psicológico pode ajudar no fortalecimento da motivação e no desenvolvimento de estratégias para lidar com a vontade de fumar.

 
O Dia Mundial sem Tabaco reforça a importância da prevenção, da informação e do apoio ao tratamento para quem deseja parar de fumar. Buscar orientação profissional pode fazer diferença nesse processo.

Você já pensou em como o cigarro impacta não só o corpo, mas também a mente? 
 

*Adriana Moraes – Psicóloga da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) – Especialista em Dependência Química e Saúde Mental – Colaboradora do site da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas)

Fontes:

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-05/dia-mundial-sem-tabaco-alerta-para-uso-de-cigarros-eletronicos
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/causas-e-prevencao-do-cancer/tabagismo

Imagem de Nabil Maaizi por Pixabay


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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