“Depressão – Vamos conversar” é o tema escolhido da Campanha da OMS para o Dia Mundial da Saúde de 2017

7 de abril de 201721min

*Por Adriana Moraes

“Nunca despreze as pessoas deprimidas. A depressão é o último estágio da dor humana” (Augusto Cury)

 
No dia 07 de abril comemora-se o Dia Mundial da Saúde, data criada com a finalidade de alertar a população a respeito dos vários aspectos que envolvem a saúde. Este ano o tema escolhido da Campanha Anual da OMS (Organização Mundial da Saúde) foi depressão. Com o lema “Let’s talk” (“Vamos conversar”, em português), a iniciativa reforça que existem formas de prevenir a depressão e também de tratá-la, considerando que ela pode levar a graves consequências, até mesmo o suicídio.
 
Todos os anos são realizadas campanhas a respeito de um tema diretamente relacionado com a saúde. O principal objetivo desta data é conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação da saúde para ter uma melhor qualidade de vida.
 
Relembre alguns temas do Dia Mundial da Saúde:
– Diabetes;
– Do campo à mesa, obtendo alimentos seguros;
– Prevenindo doenças transmitidas por vetores;
– Resistência aos antimicrobianos;
– A saúde urbana é importante;
– Salvar vidas – Hospitais seguros em situações de emergência;
– Proteção da saúde das alterações climáticas e outros temas diversos.
 
 
Tema de 2017: Depressão
 
A depressão resulta de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Pessoas que passaram por eventos adversos durante a vida (desemprego, luto, trauma psicológico) são mais propensas a desenvolver depressão. [1]
 

Segundo a definição da OMS, a depressão é muito mais que um acesso de melancolia. Trata-se de um transtorno mental no qual o afetado mostra “uma tristeza permanente e uma perda de interesse pelas atividades que as pessoas costumam desfrutar, acompanhadas da incapacidade de realizar tarefas diárias, durante duas semanas ou mais”. [2]

 

Do ponto de vista psicopatológico, os quadros depressivos têm como elemento central o humor triste. Num episódio depressivo grave, podem ocorrer sintomas psicóticos como delírio (uma ideia ou um pensamento que não corresponde à realidade, o delírio é um juízo falso, seu conteúdo é impossível) e alucinação (a percepção clara e definida de um objeto “voz, ruído, imagem” sem a presença do objeto estimulante real).
 
O Brasil tem a maior taxa de pessoas com depressão na América Latina e uma média que supera os índices mundiais. Dados publicados pela OMS apontam que 322 milhões de pessoas pelo mundo sofrem de depressão, 18% a mais do que há dez anos. O número representa 4,4% da população do planeta. [3]
 

A depressão é responsável por retirar do mercado de trabalho milhares de profissionais todos os anos. Em 2016, 75,3 mil trabalhadores foram afastados em razão do mal, com direito a recebimento de auxílio-doença em casos episódicos ou recorrentes. Eles representaram 37,8% de todas as licenças em 2016 motivadas por transtornos mentais e comportamentais, que incluem não só a depressão, como estresse, ansiedade, transtornos bipolares, esquizofrenia e transtornos mentais relacionados ao consumo de álcool e cocaína. [4]

Sintomas da depressão
 

Em entrevista para a Revista Exame, o psiquiatra Dr. Antônio Geraldo da Silva explicou que a tristeza e o desânimo podem ser sintomas da depressão, mas não são os únicos, é possível haver sinais físicos, como perda ou ganho de peso, dores inexplicáveis no corpo e insônia ou sonolência em excesso. Entre os sintomas psíquicos estão: desânimo intenso, cansaço, apatia, falta de vontade de fazer suas tarefas, falta de prazer, de alegria, choro fácil, temperamento explosivo, irritabilidade. [5]

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(Dr. Antonio Geraldo – Presidente da APAL (AssociaçãoPsiquiátrica da América Latina)

O psiquiatra alertou também que, em cada 100 pessoas com depressão grave, 15 cometem suicídio. O número é preocupante, mas pode ser revertido se preconceitos forem combatidos e informações forem divulgadas.

Depressão e uso de álcool
 
Os problemas relacionados ao álcool e depressão são as duas doenças psiquiátricas, isoladamente, mais comuns encontradas na população. Também estão entre as doenças que mais custam aos cofres públicos. Pela grande capacidade de o álcool produzir sintomatologia semelhante á da depressão e também de mascará-la, o diagnóstico desta deve ser feito com cautela e de preferência após um período de abstinência.  
Em geral, a depressão antecede o surgimento da dependência do álcool, principalmente em mulheres, porém, na maioria das vezes, é difícil determinar o transtorno primário e o secundário, visto que há interferência entre os transtornos depois de instalada a comorbidade. [6]
 
 
Depressão – Tratamento
 
Uma das principais dificuldades enfrentadas por quem sofre de depressão é fazer com que os outros entendam que ela não é “frescura”, mas uma doença como outra qualquer, por exemplo, a hipertensão ou diabetes. Essa patologia precisa ser tratada por um psiquiatra, capaz de orientar e, se necessário, medicar adequadamente o paciente. Existem tratamentos eficazes para depressão moderada e grave.
 
Não é fácil decidir qual tratamento da depressão adotar.Profissionais de saúde podem oferecer tratamentos psicológicos, como ativação comportamental, terapia cognitivo-comportamental e psicoterapia interpessoal, os médicos psiquiatras indicam os medicamentos antidepressivos. A psicoterapia em conjunto também pode ser muito útil, mas o tratamento médico é essencial.
 
 

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(imagem reprodução)

Encerro com a frase do psiquiatra  Augusto Cury: “ Nunca despreze as pessoas deprimidas. A depressão é o último estágio da dor humana”

 *Adriana Moraes – Psicóloga da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) – Especialista em Dependência Química – Colaboradora do site da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas).

 

Referências:

 

[4]http://oglobo.globo.com/economia/mais-de-75-mil-pessoas-foram-afastadas-do-trabalho-por-depressao-em-2016-20913028

[6] Dependência Química: prevenção, tratamento e políticas públicas / Alessandra Diehl – Daniel Cruz Cordeiro – Ronaldo Laranjeira – Porto Alegre: Artmed, 2011.
 
 
 
 
 

 

 


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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