Crianças de 5 a 9 anos lideram alta de internações por saúde mental em SP

17 de março de 20263min88
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O crescimento das internações por transtornos mentais entre crianças e adolescentes em São Paulo revela um cenário preocupante. Entre 2020 e 2025, crianças de 5 a 9 anos lideraram esse aumento, com alta de 98,3%, seguidas pelos jovens de 10 a 14 anos, com crescimento de 78,1%. Além disso, essa mesma faixa etária mais jovem concentra o maior volume de atendimentos ambulatoriais, evidenciando uma demanda crescente por cuidados em saúde mental desde a infância.

Esses atendimentos incluem desde consultas e acompanhamento psicológico até tratamentos para diferentes transtornos, que vão de alterações do desenvolvimento a quadros mais graves. O acesso pelo SUS ocorre principalmente pela atenção básica e pela Rede de Atenção Psicossocial (Raps), com encaminhamento para serviços especializados ou hospitalares nos casos mais complexos.

O que está por trás desse aumento, segundo Elson Asevedo
Para Elson Miranda de Asevedo, diretor técnico do Caism da Vila Mariana, esse avanço já vinha sendo percebido antes mesmo da pandemia, mas se intensificou no período pós-Covid.

Segundo ele, crianças e adolescentes são especialmente sensíveis a mudanças sociais. A ruptura de rotinas, o isolamento e as transformações no convívio impactaram diretamente o desenvolvimento emocional, aumentando o sofrimento psíquico nessa fase da vida.

Asevedo também chama atenção para diferenças entre meninos e meninas: embora a depressão seja mais frequente no público feminino, muitos transtornos aparecem mais nos meninos, que tendem a apresentar comportamentos mais disruptivos, o que pode levar a intervenções emergenciais com maior frequência.

Por fim, o especialista reforça um ponto essencial: a internação psiquiátrica é sempre uma medida de último recurso, indicada apenas em situações graves, quando há risco significativo para a própria criança ou para outras pessoas.

 

Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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