Como depressão e ansiedade aumentam o risco de doenças cardiovasculares

23 de fevereiro de 20263min74
coração

A relação entre transtornos mentais, como depressão e ansiedade, e o aumento do risco de doenças cardiovasculares é amplamente reconhecida. Um estudo recente reforça que esse impacto não se limita ao estilo de vida, envolvendo também mecanismos biológicos que podem comprometer diretamente o coração.

A pesquisa acompanhou mais de 85 mil participantes por cerca de três anos. Nesse período, aproximadamente 3,6% apresentaram eventos cardiovasculares adversos, como infarto e AVC. Os dados indicaram que pessoas com depressão tinham risco significativamente maior, especialmente quando o quadro era associado à ansiedade.

Além de fatores comportamentais, como sedentarismo, alimentação inadequada e maior exposição ao estresse, o estudo investigou alterações fisiológicas. Exames de imagem revelaram maior atividade da amígdala cerebral em indivíduos com depressão ou ansiedade. Essa região está ligada ao processamento do medo e do estresse, e sua hiperativação pode manter o organismo em estado de alerta prolongado, elevando hormônios do estresse e sobrecarregando o sistema cardiovascular.

Outro achado relevante foi a menor variabilidade da frequência cardíaca, indicador de que o coração apresenta menor capacidade de adaptação às demandas do organismo. Essa alteração está associada a maior risco cardiovascular. Também foram observados níveis elevados de proteína C-reativa (PCR), um marcador inflamatório relacionado à maior probabilidade de infarto e AVC.

Os resultados sugerem que depressão e ansiedade contribuem para mudanças integradas entre cérebro, sistema nervoso autônomo, coração e processos inflamatórios. Nesse contexto, o diagnóstico e o tratamento precoces desses transtornos podem desempenhar papel importante não apenas na saúde mental, mas também na prevenção de doenças cardiovasculares.

Foto por Folha de São Paulo

Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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