Brasil bate recorde de afastamentos por saúde mental em 2025

O Brasil registrou, em 2025, um novo recorde de afastamentos do trabalho por transtornos mentais, o segundo em apenas dez anos. Dados do Ministério da Previdência Social revelam um cenário preocupante de adoecimento mental no ambiente de trabalho, sem que haja ações efetivas para conter esse avanço.
Somente em 2025, mais de 546 mil afastamentos foram concedidos por questões de saúde mental, dentro de um total de mais de 4 milhões de licenças por incapacidade temporária. Isso representa um crescimento de 15% em relação a 2024 e coloca os transtornos mentais como uma das principais causas de afastamento no país.
Ansiedade e depressão são os diagnósticos que mais impulsionam esses números. Juntas, essas condições já ocupam o segundo lugar entre os motivos de afastamento, ficando atrás apenas das doenças da coluna. O impacto financeiro também é expressivo: estima-se que os custos para o INSS com afastamentos por saúde mental cheguem a R$ 3,5 bilhões.
Embora dores físicas, como dorsalgia e hérnia de disco, ainda lideram o ranking geral, os transtornos mentais vêm ganhando protagonismo. Em 2025, a ansiedade gerou 166.489 licenças, enquanto a depressão foi responsável por 126.608 afastamentos, ultrapassando causas tradicionais como fraturas.
Importante: os dados se referem ao número de afastamentos, e não de trabalhadores. Uma mesma pessoa pode ter mais de uma licença contabilizada ao longo do ano.
A lista feita pelo Ministério da Previdência considera as doenças que mais geraram concessões de benefício. Entre elas, também estão: transtorno bipolar, dependência química, estresse grave, esquizofrenia e alcoolismo.
No recorte regional, São Paulo lidera com folga o número de afastamentos (149.375), seguido por Minas Gerais (83.321), Rio Grande do Sul (46.738) e Rio de Janeiro (41.997).
Os dados reforçam um alerta urgente: cuidar da saúde mental no trabalho deixou de ser uma questão individual e passou a ser um desafio social, econômico e de saúde pública.
Foto: Luisa Rivas e Otávio Camargo | Arte g1
