Alcoolismo é tolerado até quando aparecem os primeiros prejuízos

7 de junho de 20143min

Jornal da Manhã Online – Uberaba – Thassiana Macedo 

De acordo com o Relatório Global sobre o Álcool e a Saúde 2014, cada habitante do mundo com mais de 15 anos consome, em média, 6,2 litros de álcool puro por ano, o que equivale a 13,5 gramas de álcool puro por dia. No entanto, como apenas 38,3% das pessoas bebem realmente álcool, aqueles que consomem em média 17 litros de álcool puro por ano.

O psiquiatra Júlio César Monteiro esclarece que, como a maioria dos problemas psiquiátricos ou psicológicos, as consequências do uso abusivo de álcool são razoavelmente toleradas até que os prejuízos – pessoais, sociais e no trabalho – comecem a aparecer. “Então, começamos a perceber que as pessoas têm dificuldade para manter compromissos, alteram alguns comportamentos que não são aceitos pela maioria dos que a circulam, como, por exemplo, se tornam irritadiças, nervosas e briguentas. Elas se tornam improdutivas e têm dificuldade para trabalhar ou estudar, mas o sinal mais evidente é a perda do controle que a pessoas pensam ter sobre o uso frequente do álcool. Independente da quantidade ingerida, é a regularidade do uso que denuncia o problema”, alerta.

Por isso, o especialista destaca que até chegar a esta conclusão podem se passar anos. “Geralmente, quem dá o alerta são os familiares mais próximos, que tendem a oferecer ajuda, pelo menos no início. Quando o profissional da saúde intervém, é porque os prejuízos já estão há algum tempo bem claros. É muito complicado fazer uma recomendação para que as pessoas não bebam ou não se tornem abusivas. Seria o equivalente a pedir que não participem da festa. O mais desejável seria que a pessoa com riscos de se tornar um etilista identificasse o problema e assumisse uma posição. Até mesmo procurando ajuda, se for o caso”, ressalta Monteiro.

No caso dos adolescentes que se entregam ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas, cada vez mais cedo o psiquiatra informa que a questão é de responsabilidade. “Não tem como os pais aceitarem esta decisão de permitir um adolescente decidir sobre algo que pode desencadear problemas sérios. Quando isso acontece, mesmo não sabendo, os pais já assumiram um risco. Mesmo porque é proibido fornecer bebida a menores. Neste sentido, faço ainda outra pergunta para ajudar a pensar: o que seria melhor que a orientação?”, completa o especialista.


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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