28 de outubro de 2020

A DANÇA

18 de outubro de 20166min

Pe. Haroldo Rahms
      Há uma história sobre um peixinho no oceano. Alguém diz para o peixe: “Oh! Que coisa tão imensa é o oceano. É grande, maravilhoso!” E o peixe, nadando para todos os lados, pergunta: “Onde está o oceano?” “Você está dentro dele”. Mas o que ele acha é água!
      Ele não consegue reconhecer o oceano. Está preso à palavra. Será que está acontecendo isso conosco? Será que Deus está olhando a nossa face, mas por estarmos presos a algumas ideias, não o reconhecemos? Seria trágico!
      É o silêncio o primeiro passo para chegar a Deus e entender que as ideias sobre Deus são todas inadequadas. A maioria das pessoas não estão prontas para entender isso, o que é um grande obstáculo para a oração.
      E para alcançar o silêncio, é preciso tomar consciência dos cincos sentidos, usando-os. A muitos isso pode parecer absurdo e quase inacreditável, mas tudo o que vocês têm a fazer é olhar, ouvir, sentir, ver.
      “Deus criou o mundo. Deus dança no mundo”. Você pode pensar em uma dança sem ver o dançarino? São uma coisa só? Não. Duas, e Deus está na criação como a voz de um cantor em uma canção. Vamos supor que eu cante uma canção. Você terá a minha voz e a canção. Elas estão intimamente ligadas, mas não são a mesma coisa. Mas pensem: não é estranho que escutemos a canção, não a voz? Vermos uma dança e não o dançarino?
      Então é preciso ouvir com o coração, ver com o coração.
      Em um conto japonês, o discípulo diz ao mestre: “Você está escondendo de mim o segredo final da contemplação”. O mestre diz: “Não, não estou!” O discípulo responde: “Sim, você está!” Um dia, eles estavam caminhado pelas encostas de uma montanha e ouviram um pássaro cantar. O mestre disse ao discípulo: “Você ouviu aquele pássaro cantar?” O discípulo diz: “Sim”. O mestre diz: “Agora você sabe que eu não escondi nada de você”. E o discípulo diz: “Sim”. Sabe o que aconteceu? Ele ouviu com o coração, escutou com o coração. Isso é uma graça que pode nos ser dada se olharmos.
      Imaginem que eu esteja olhando o pôr-do-sol e um camponês se aproxime e diga: “O que você está olhando? Parece em êxtase!” Eu respondo: “Estou extasiado com a beleza!” O pobre homem começa a vir todos os dias à tarde para procurar a Beleza, e se pergunta onde está ela. Ele vê o sol, as  nuvens, as árvores. Mas onde está a Beleza? Não compreende que a Beleza não é uma coisa. Beleza é uma maneira de ver as coisas. Olhem a criação! Espero que, um dia, o dom de ver com o coração lhes seja dado.
 
PARA REFLETIR
 
      É o que nos porta tão maravilhosamente o Evangelho de São João. Ouvimos em silêncio no primeiro capitulo: “Todas as coisas foram criadas nele e por ele (Jo 1, 3)”. Depois aquela frase encantadora que diz: “Ele estava no mundo e o mundo foi criado por ele, mas o mundo não o reconheceu”. Se olharem talvez possam reconhecê-lo. Olhem para a dança, tenho esperança de que vejam o dançarino. Deus dança no mundo!


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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