Amphetamines and Ecstasy

5 de setembro de 20188min

A “Avaliação Global 2008 de Anfetaminas, Metanfetaminas e de Ecstasy”, lançada em Bangkok, na Tailândia, revela que o uso das drogas sintéticas, em termos anuais, é superior ao da cocaína e da heroína juntas. Com mercado mundial de cerca de US$ 65 bilhões, as drogas sintéticas se tornaram altamente atraentes financeiramente. Com pouco investimento inicial, grandes quantidades de anfetaminas podem ser produzidas – praticamente em qualquer lugar. Tradicionalmente, grupos do crime organizado participavam do comércio ilícito, mas agora se envolvem em toda a cadeia de suprimentos: o tráfico de precursores químicos, a produção final e o tráfico doméstico e internacional de drogas sintéticas. Da produção artesanal, o mercado das anfetaminas tem se tornado mais sofisticado, com dimensões globais e liderado por grupos do crime organizado.  Novos dados mostram aumento do uso de anfetaminas e ecstasy também na América do Sul. A produção, tradicionalmente concentrada na Europa, principalmente Holanda e Bélgica, também começa a mudar para os mercados emergentes. No continente americano, a fiscalização mais acirrada na América do Norte pode transferir parte da produção de drogas sintéticas para o sul. O México já registra aumento de laboratórios clandestinos. Segundo autoridades da Bélgica, países como México, Brasil e África do Sul vêm se destacando como importantes países de destino de anfetaminas por via aérea.

Novas tendências

Depois de um aumento considerável no consumo mundial no fim dos anos 1990, o uso de drogas sintéticas na América do Norte, Europa e Oceania vem se estabilizando e até diminuindo. Mas o problema se deslocou para novos mercados ao longo dos últimos anos.

A Ásia – com população gigantesca e aumento constante de riqueza – lidera a demanda mundial por drogas sintéticas. Em 2006, quase a metade dos países asiáticos relatou um aumento no uso de metanfetaminas. No mesmo ano, só na Arábia Saudita, foram apreendidas mais de 12 toneladas de anfetaminas (principalmente na forma conhecida como Captagon), o que corresponde a 25% de toda a apreensão global de anfetaminas (um aumento surpreendente comparado a 1% de apreensão mundial registrada em 2000-2001). Em 2007, o volume apreendido foi de quase 14 toneladas. Na África do Sul, o número de laboratórios de produção de metanfetamina cresceu significativamente ao longo dos últimos cinco anos, assim como o consumo interno.

Novas formas de drogas sintéticas também começam a surgir. É o caso da metanfetamina cristalina ( crytal meth). Com alto grau de pureza, a droga encontrada principalmente em países do sudeste asiático. “Além dos riscos à saúde, comuns a todas as drogas sintéticas, a crystal meth também é usada de forma injetável, com alto potencial de propagar o HIV”, explica o especialista do UNODC, Jeremy Douglas.

América Latina e Caribe 

Os países da América Latina e Caribe tradicionalmente vêm concentrando esforços no controle da cocaína, enquanto a produção, tráfico e consumo de anfetaminas não têm sido percebidos como grande ameaça pelos governos. Historicamente, o uso de anfetaminas nas sub-regiões está ligado a prescrições indevidas e ao desvio para uso ilícito de estimulantes fabricados de forma lícita. Novos dados indicam que a produção ilegal de anfetaminas pode estar se intensificando na região. Muitos países sequer estão cientes do problema, diante de relatos oficiais incompletos ou insuficientes e da falta consciência sobre a rapidez em que os mercados de anfetaminas podem surgir. A falta de infra-estrutura técnica para investigação também enfraquece a forma como os governos enfrentam o problema.

Países da região relatam aumento de desvio do estimulante pseudoefedrina. Em 2001 só haviam sido relatados dois casos de contrabando da substância na América Latina e no Caribe. Em 2006, o número de países que relataram contrabando subiu para 10. Autoridades da Argentina e da Costa Rica também informaram aumento nas apreensões de precursores de anfetaminas, sendo muitos deles fórmulas farmacêuticas (antigripais e descongestionantes) desviadas para uso ilícito. No Peru, o número de casos de precursores químicos e de tráfico de drogas sintéticas em 2007 fornece indicações indiretas de produção de anfetaminas no país.

Ecstasy 

Relatórios recentes indicam que o tráfico de ecstasy e derivados está aumentando na América Latina e Caribe. Autoridades mexicanas acreditam que as substâncias estão sendo transportadas da Europa para outros países da região usando a América Central como corredor. Autoridades da Costa Rica manifestam preocupação com o aumento do tráfico de ecstasy, cuja apreensão aumentou de 557 pílulas em 2001 para 19 mil pílulas em 2007. Também há alertas sobre carregamentos transnacionais de ecstasy. Autoridades do Equador indicam que o território vem sendo usado como corredor para os Estados Unidos. Muitas vezes o ecstasy vindo da Holanda é trocado na América do Sul por outras drogas, como a cocaína, que segue rumo à Europa.

Pesquisas domiciliares no Peru mostram aumento do uso de ecstasy em festas “rave” e aumento nos serviços de entrega por telefone e via Internet. Especialistas dos países sul-americanos que responderam aos relatórios do UNODC manifestaram preocupação com o uso de anfetaminas na Argentina, República Dominicana, El Salvador, Guatemala e Peru. Houve aumento da percepção de uso de ecstasy na Argentina, Chile, El Salvador, Guatemala, e Peru.

A preocupação com o aumento no uso de anfetaminas também se deve ao fato de que o maior público consumidor é formado por jovens. Na Colômbia, a prevalência anual (uso pelo menos uma vez ao ano) entre estudantes do ensino médio foi de 3,5% (em 2005), enquanto a prevalência anual da população entre 15-64 anos ficou em 0,5%. No Brasil, pesquisas realizadas em 2004-2005 mostraram que 3,4% dos estudantes do ensino médio usaram estimulantes do grupo anfetamínico pelo menos uma vez ao ano.

Autor: Escritório de Drogas e Crime (ONU)
Ano: 2008

Clique aqui para ler o relatório completo (em inglês)


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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