Janeiro Branco “cuidado com a saúde mental”

15 de janeiro de 20219min

*Por Adriana Moraes

“Para usuários de substâncias psicoativas, há um aumento de risco não só de depressão como de boa parte das doenças mentais como transtornos ansiosos, psicóticos e transtorno bipolar” Dr. Hamer Palhares 

Janeiro é o primeiro mês do ano e traz consigo a campanha “Janeiro Branco”, focada na saúde mental.  O mês de janeiro foi escolhido porque é neste mês que as pessoas estão mais motivadas em resoluções e metas para o ano. Trata-se de uma campanha ao estilo da Campanha Setembro Amarelo (prevenção ao suicídio); Outubro Rosa (contra o câncer de mama); Novembro Azul (em prol da saúde do homem); Dezembro Vermelho (medidas de prevenção, assistência e proteção e promoção dos direitos das pessoas infectadas com o HIV).

O objetivo da Campanha Janeiro Branco é chamar a atenção da humanidade para as questões e necessidades relacionadas à saúde mental e emocional das pessoas e das instituições humanas.

Pandemia

O medo se tornou algo presente após o surgimento da pandemia do Covid-19, principalmente o receio do vírus desconhecido. Esse novo estilo de vida pode estar impactando na prevalência dos quadros depressivos. O estresse durante o período de enfrentamento devido à incerteza da pandemia do Covid-19 teve impacto sobre nossa vida emocional e psíquica. O isolamento social, o desemprego, as dificuldades financeiras, a incerteza quanto ao futuro, a falta de perspectiva, contribuíram para o desequilíbrio da saúde mental e aumento dos números da depressão e de outros transtornos mentais.

Depressão

Depressão é uma doença psiquiátrica crônica, a tristeza é um sentimento constante, que se manifesta pela maior parte do dia, quase diariamente, e por um período mínimo de duas semanas. A depressão causa considerável impacto na saúde física e mental e na qualidade de vida das pessoas acometidas, ela é entre todas as doenças (físicas e mentais), uma das principais causas daquilo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) chama de “anos vividos com incapacidades” e “perdas de anos em termos de morte prematura e perda de anos de vida produtiva” [1]

As síndromes e as reações depressivas surgem com muita frequência após perdas significativas de pessoa muito querida, emprego, moradia, status socioeconômico ou algo puramente simbólico.

Alguns sintomas das síndromes depressivas [1]:

Sintomas Afetivos e de humor:

  • Tristeza, sentimento de melancolia, na maior parte do dia, todos ou quase todos os dias;
  • Choro fácil e/ou frequente;
  • Apatia (indiferença afetiva tanto faz como tanto fez), na maior parte do dia, todos ou quase todos os dias;
  • Sentimento de falta de sentimento (é terrível não consigo sentir mais nada!);
  • Sentimento de tédio, de aborrecimento crônico;
  • Irritabilidade aumentada (a ruídos, pessoas, vozes, etc.), na maior parte do dia, todos ou quase os dias;

São frequentes também: angústia, ansiedade, desespero, desesperança.

Alterações da volição e da psicomotricidade:

  • Desânimo: diminuição da vontade (hipobulia: não tenho pique para mais nada);
  • Anedonia (incapacidade de sentir prazer em várias esferas da vida, como alimentação, sexo, amizades);
  • Tendência a permanecer quieto na cama, por todo o dia (com o quarto escuro, recusando visitas);
  • Aumento na latência entre as perguntas e as respostas;
  • Lentificação psicomotora (pode progredir até o estupor/catatonia);
  • Mutismo (negativismo verbal completo);
  • Negativismo (recusa à alimentação, à interação pessoal, etc.).

Alterações ideativas:

  • Ideação negativa, pessimismo em relação a tudo;
  • Ideias de arrependimento e de culpa;
  • Ruminações com mágoas atuais e antigas;
  • Visão do mundo marcada pelo tédio (a vida é vazia, sem sentido; nada vale a pena);
  • Realismo depressivo: interferências sobre a vida mais realistas e pessimistas em relação à pessoa sem depressão, sendo que estas tenderiam a apresentar um viés positivo de avaliação da realidade;
  • Ideias de morte, desejo de desaparecer, dormir para sempre;
  • Ideação, planos ou atos suicidas.

Nunca se falou tanto de saúde mental, especialmente, sobre a depressão. Os números da OMS (Organização Mundial de Saúde) deixam um alerta de que a depressão alcançará na década de 2030, a primeira posição entre as doenças com maior prevalência no mundo.

Uso de drogas e depressão

hamer

O psiquiatra Dr. Hamer Palhares explicou que para usuários de substâncias psicoativas, há um aumento de risco não só de depressão como de boa parte das doenças mentais como transtornos ansiosos, psicóticos e transtorno bipolar. A depressão também pode, por sua vez, intensificar o consumo de substâncias. Assim, há uma relação bidirecional, onde uma condição aumenta o risco da outra, criando uma espécie de feedback negativo ou círculo vicioso. Desta forma, pacientes com depressão que passem a abusar de substâncias terão pior aderência ao tratamento medicamentoso, necessitarão de doses maiores do medicamento, com maior risco de interações farmacológicas. Também terão menor probabilidade de seguir à risca o tratamento não farmacológico (como psicoterapia, atividades físicas, mudanças de estilo de vida).

Dr. Hamer, esclarece também que pacientes dependentes químicos, os quais têm maior probabilidade de apresentar depressão e outros transtornos mentais, terão maior dificuldades em buscar o tratamento, podem levar mais tempo para reconhecer que estejam depressivos (podem atribuir sintomas depressivos apenas ao efeito das drogas ou à síndrome de abstinência). [2]

Tratamento

Esse ponto é de extrema relevância, é necessário discutirmos sobre a saúde mental para que possamos nos cuidar e cuidar daqueles que amamos. É hora de cuidar da saúde mental da população. A pessoa que necessita de cuidado ou tratamento de saúde mental deve procurar a (UBS) Unidade Básica de Saúde ou (CAPS) Centros de Atenção Psicossocial, mais próximo de seu bairro, ambos são portas de entrada para o atendimento na área de Saúde Mental dentro da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

Referências:

[1] Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais/Paulo Dalgalarrondo. Porto Alegre – Artmed, 2019.

[2]https://www.uniad.org.br/noticias/entrevistas/confira-a-entrevista-exclusiva-com-o-psiquiatra-dr-hamer-palhares-sobre-depressao-e-dependencia-quimica/

*Adriana Moraes – Psicóloga da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) – Especialista em Dependência Química – Colaboradora do site da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas).


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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