Um ano após esvaziamento da cracolândia, droga entra aos poucos por mutirão de usuários no centro de SP

Nos últimos anos, a região conhecida como cracolândia, nos arredores da estação Estação Júlio Prestes, entre os bairros Bom Retiro, Santa Cecília e República, passou por mudanças importantes. Antes marcada por grandes concentrações de usuários, que podiam chegar a milhares de pessoas, a dinâmica atual é diferente: hoje, os grupos são menores e mais dispersos, geralmente com menos de dez indivíduos, que se deslocam constantemente para evitar abordagens policiais.
Dados recentes indicam a circulação média de cerca de 214 usuários pela região, com presença em locais como o Parque Princesa Isabel, a Praça Marechal Deodoro e a Avenida Duque de Caxias. Esse público é altamente rotativo, mantendo um padrão histórico de baixa permanência fixa. Apesar da presença ainda visível de dependentes químicos, moradores e comerciantes relatam uma redução no consumo e no tráfico em pontos mais críticos, inclusive em áreas do distrito da Sé.
Uma das principais mudanças ocorreu na área da saúde, com a criação do Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas. O serviço atua como porta de entrada para triagem, diagnóstico e encaminhamento imediato para tratamento, seja por procura espontânea ou via encaminhamento de profissionais, como os Centros de Atenção Psicossocial. Segundo o governo, cerca de 29 mil pessoas já foram atendidas, com ampliação significativa da oferta de leitos de 120 para 729, de acordo com Quirino Cordeiro.
Especialistas destacam que recaídas fazem parte do processo de recuperação. Para Clarice Madruga, da Universidade Federal de São Paulo, a ampliação e manutenção da oferta de tratamento representa um avanço importante. Segundo ela, é essencial aproveitar as “janelas de oportunidade” em que o usuário está mais propenso a aceitar ajuda momentos que, se não forem aproveitados, podem não se repetir no curto prazo.
