Consumo de drogas ilícitas cresceu cerca de 80% no Brasil de 2012 a 2023

O consumo de drogas ilícitas no Brasil aumentou significativamente na última década. Dados do 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III) mostram que, entre 2012 e 2023, a proporção de pessoas que experimentaram alguma substância psicoativa proibida ao menos uma vez na vida passou de 10,3% para 18,7%, um crescimento de cerca de 80%. No mesmo período, o uso recente também aumentou, subindo de 4,5% para 8,1%.
O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo e entrevistou mais de 16 mil pessoas em 349 municípios brasileiros. O estudo avaliou o consumo de 16 tipos de drogas ilícitas entre indivíduos com mais de 14 anos, por meio de questionários sigilosos aplicados em domicílios.
Entre as substâncias analisadas, a cannabis e seus derivados, como maconha, skank e haxixe, foram os mais utilizados e os que mais contribuíram para o aumento observado. Em 2023, cerca de 15% dos brasileiros afirmaram já ter experimentado algum produto derivado da cannabis, mais que o dobro dos 6,2% registrados em 2012. A cocaína aparece como a segunda droga mais consumida, seguida por estimulantes do grupo das anfetaminas, inalantes e ecstasy.
A pesquisa também identificou mudanças importantes entre adolescentes. Enquanto o uso recente de cannabis diminuiu entre meninos de 14 a 18 anos, aumentou entre as meninas da mesma faixa etária. Segundo a psicóloga Clarice Sandi Madruga, responsável pelo estudo, essa tendência acompanha o que tem sido observado em outros países, onde as diferenças de consumo entre os sexos vêm diminuindo ao longo da adolescência.
Os dados ajudam a compreender as transformações nos padrões de consumo de drogas no país e podem orientar políticas públicas de prevenção, educação e cuidado em saúde.
