Saúde mental no trabalho em pauta novamente

Os dados refletem a forma como o trabalho é organizado: jornadas prolongadas, metas excessivas, alta pressão, baixa autonomia e relações institucionais fragilizadas. Profissões como vendedores, profissionais da limpeza, enfermeiros, motoristas, vigilantes e trabalhadores administrativos concentram grande parte desses afastamentos, muitas vezes agravados pelo medo do desemprego, que leva ao adiamento da busca por ajuda e ao agravamento dos quadros clínicos.Esse cenário impacta diretamente a produtividade, a segurança, a tomada de decisão e o clima organizacional, transformando o adoecimento mental em um risco mensurável. Com a atualização da NR-01, a gestão dos riscos psicossociais passa a ser uma obrigação legal das empresas, integrando a prevenção de riscos, a governança corporativa e a responsabilidade institucional.
Cumprir a NR-01 vai além de atender a uma norma: significa reconhecer que a saúde mental é um indicador central da qualidade das organizações. Empresas que atuam de forma preventiva tendem a reduzir afastamentos, judicialização e danos reputacionais. Já a omissão deixa de ser invisível, riscos psicossociais não gerenciados passam a ser riscos assumidos, com responsáveis claros. A saúde mental no trabalho, hoje, é um eixo estruturante do presente e do futuro das relações produtivas.
*Antônio Geraldo da Silva é médico formado pela Faculdade de Medicina na Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. É psiquiatra pelo convênio HSVP/SES – HUB/UnB. É doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto – Portugal e possui Pós-Doutorado em Medicina Molecular pela Faculdade de Medicina da UFMG.
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