Quais são os transtornos de saúde mental que mais se intensificam neste período de início de ano

15 de janeiro de 20265min77
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Quais são os transtornos de saúde mental que mais se intensificam neste período de início de ano, como depressão, ansiedade ou TEPT, e por que isso acontece?

Confira a resposta do psiquiatra Dr. Elson Asevedo:  

O início do ano é um período paradoxal: ao mesmo tempo em que simboliza renovação, também funciona como um amplificador de vulnerabilidades emocionais. Na prática clínica, os transtornos que mais costumam se intensificar nessa época são ansiedade e depressão, com possíveis repercussões em quadros de estresse pós-traumático para pessoas vulneráveis.

Por que a ansiedade piora?
O final do ano costuma trazer uma combinação explosiva: quebra de rotina, privação de sono, excesso de compromissos sociais, estresse financeiro e maior consumo de álcool. Quando atravessamos esse período já sob pressão, o cérebro entra em janeiro desregulado, e o retorno abrupto à rotina pode ser percebido como uma ameaça. Somam-se a isso as famosas resoluções de ano novo. A cobrança interna por “começar perfeito”, “não errar” e “ser diferente” alimenta um estado de hipervigilância: preocupações constantes, tensão muscular, irritabilidade, dificuldade para dormir e até crises de pânico.

Por que a depressão se intensifica?
A depressão costuma se agravar porque o final do ano expõe contrastes dolorosos: a obrigação social da felicidade, a idealização de famílias perfeitas e a revisão de um ano que talvez tenha sido marcado por perdas. Muita gente vive uma espécie de “solidão acompanhada”: sente-se profundamente desconectada mesmo rodeada de pessoas. Quando chega janeiro, com sua ideia de recomeço, isso pode piorar. Enquanto todos parecem cheios de planos, quem está deprimido sente a incapacidade de iniciar algo novo, o que aprofunda sentimentos de inadequação, vazio e desesperança.

E o TEPT?
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) não é sazonal, mas algumas pessoas vivenciam gatilhos fortes nessa época. Fogos de artifício, reuniões familiares, datas de perdas ou memórias traumáticas podem reativar sintomas como hiperalerta, flashbacks e insônia. Para sobreviventes de violência, acidentes ou conflitos familiares, o período pode ser especialmente sensível.

Por que tudo isso converge em janeiro?
Porque o início do ano funciona, na prática, como um “teste de estresse emocional”. Ele expõe nossos limites, mexe com nossa autoestima e reacende expectativas internas e externas. É um território fértil tanto para o autocuidado quanto para o adoecimento, por isso exige atenção.

A boa notícia é que janeiro também é um ponto de virada: reconhecer esses padrões permite buscar apoio, reorganizar rotinas e adotar práticas de autocuidado antes que o sofrimento se torne incapacitante.

Link com o texto completo: https://www.uniad.org.br/noticias/como-encontrar-sentido-em-2026-uma-conversa-com-o-dr-elson-asevedo/

*Dr. Elson Asevedo – Psiquiatra da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) – Diretor do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental da Vila Mariana (CAISM)

Foto de SPDM


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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