Como a busca pelo sentido da vida influencia a saúde mental

15 de janeiro de 20266min69
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Como a busca pelo sentido da vida influencia a saúde mental, e de que forma alguém pode começar a construir esse significado de maneira prática e saudável?


*Confira a resposta do psiquiatra Dr. Elson Asevedo:  
 

O sentimento de vazio que muitas pessoas experimentam no início do ano não é falta de força, é falta de sentido. Viktor Frankl descreveu isso como “vazio existencial”: quando perdemos a conexão com aquilo que dá direção à nossa vida, tudo fica sem cor, sem energia e sem perspectiva. O propósito não elimina o sofrimento, mas o torna suportável e, muitas vezes, transformador.

A boa notícia é que o propósito não é algo que “aparece” na nossa frente. Ele é construído. E essa construção acontece em pequenas escolhas cotidianas, não em epifanias grandiosas.

Comece olhando para fora, não para dentro: Frankl dizia que o sentido da vida não se encontra no isolamento, mas no encontro, com uma causa, com o trabalho, com o outro. Pergunte-se: “Onde posso ser útil hoje?” Ajudar alguém, participar de uma causa, ensinar algo, cuidar de quem precisa. Atos assim diminuem o vazio e ampliam o sentido.

Clarifique os seus valores: o que realmente importa para você? Honestidade, criatividade, justiça, cuidado, família, liberdade? Propósito é, em grande parte, viver de acordo com esses valores, mesmo em pequenas doses. Se compaixão é um valor, qual é o gesto mínimo possível de compaixão que você pode praticar hoje?

Encontre significado no trabalho ou fora dele: nem todo mundo terá uma profissão que simboliza sua grande missão de vida. Tudo bem. Mas sempre é possível conectar o trabalho diário a um impacto maior: “Quem é beneficiado pelo que faço?” E, quando isso não é claro, hobbies, projetos pessoais e atividades comunitárias podem cumprir esse papel de forma poderosa.

Priorize vínculos que nutrem: pertencimento é um dos pilares do sentido. Relações de confiança, cuidado e reciprocidade ampliam nosso sentimento de valor e direção. Propósito raramente nasce na solidão; quase sempre nasce no encontro.

Assuma sua parte na própria vida: em vez de perguntar “o que eu espero da vida?”, Frankl sugere uma pergunta mais madura: “O que a vida espera de mim agora?” Essa pequena mudança nos tira da passividade e nos coloca no papel de agentes do próprio destino.

O que fazer na prática?
Comece pequeno. Escolha uma ação por dia que se conecte a:
• um valor seu,
• uma pessoa importante, ou
• uma causa que faça sentido.

O propósito não surge de grandes decisões, surge de pequenas coerências acumuladas. É assim que o vazio vai, pouco a pouco, dando lugar à vitalidade.

Link com o texto completo: https://www.uniad.org.br/noticias/como-encontrar-sentido-em-2026-uma-conversa-com-o-dr-elson-asevedo/

*Dr. Elson Asevedo – Psiquiatra da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) – Diretor do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental da Vila Mariana (CAISM)

Indicação de leitura:

Imagem de Pexels por Pixabay


Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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