Antônio Geraldo: Cannabis e doenças mentais; entre percepções sociais e evidências científicas

26 de março de 2026167min30
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O psiquiatra Dr. Antônio Geraldo, em sua coluna no site GPS, abordou o tema da relação entre cannabis e doenças mentais, destacando a importância de diferenciar percepções sociais das evidências científicas.

Nos últimos anos, a cannabis passou a ganhar maior aceitação social e começou a ser vista por muitos como uma possível alternativa terapêutica para transtornos mentais. No entanto, a ciência aponta um cenário mais cauteloso.

Uma revisão recente publicada na revista JAMA Internal Medicine concluiu que não há evidências científicas robustas que sustentem o uso da cannabis como tratamento eficaz para doenças psiquiátricas. Além disso, diversos estudos indicam riscos importantes associados ao seu consumo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

– Aumento do risco de psicose, especialmente com produtos ricos em THC e uso frequente;
– Maior vulnerabilidade em adolescentes, devido ao impacto no desenvolvimento cerebral;
– Piora do transtorno bipolar, com mais episódios e recuperação mais difícil;
– Risco de dependência, que pode afetar cerca de 30% dos usuários;
– Prejuízos cognitivos, como alterações na memória, atenção e tomada de decisão.

Outro fator relevante é o aumento da concentração de THC nas últimas décadas, o que pode intensificar os efeitos negativos da substância.

Diante disso, o especialista reforça que o debate sobre o uso da cannabis deve ser baseado em evidências científicas, e não apenas em percepções sociais. Quando se trata de saúde mental, a recomendação atual é de cautela, especialmente entre jovens e pessoas com transtornos psiquiátricos.

 
 
Foto de capa: GPSBrasilia
 
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*Antônio Geraldo da Silva é médico formado pela Faculdade de Medicina na Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. É psiquiatra pelo convênio HSVP/SES – HUB/UnB. É doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto – Portugal e possui Pós-Doutorado em Medicina Molecular pela Faculdade de Medicina da UFMG.

Sobre a UNIAD

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra. A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.



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