Antônio Geraldo: Cannabis e doenças mentais; entre percepções sociais e evidências científicas

Nos últimos anos, a cannabis passou a ganhar maior aceitação social e começou a ser vista por muitos como uma possível alternativa terapêutica para transtornos mentais. No entanto, a ciência aponta um cenário mais cauteloso.
Uma revisão recente publicada na revista JAMA Internal Medicine concluiu que não há evidências científicas robustas que sustentem o uso da cannabis como tratamento eficaz para doenças psiquiátricas. Além disso, diversos estudos indicam riscos importantes associados ao seu consumo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
– Aumento do risco de psicose, especialmente com produtos ricos em THC e uso frequente;
– Maior vulnerabilidade em adolescentes, devido ao impacto no desenvolvimento cerebral;
– Piora do transtorno bipolar, com mais episódios e recuperação mais difícil;
– Risco de dependência, que pode afetar cerca de 30% dos usuários;
– Prejuízos cognitivos, como alterações na memória, atenção e tomada de decisão.
Outro fator relevante é o aumento da concentração de THC nas últimas décadas, o que pode intensificar os efeitos negativos da substância.
Diante disso, o especialista reforça que o debate sobre o uso da cannabis deve ser baseado em evidências científicas, e não apenas em percepções sociais. Quando se trata de saúde mental, a recomendação atual é de cautela, especialmente entre jovens e pessoas com transtornos psiquiátricos.
