O Uso Racional de Medicamentos Psicotrópicos no Brasil

Domingo, 08 Dezembro 2013 20:11

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O Uso Racional de Medicamentos Psicotrópicos no Brasil

Dr, Ronaldo Laranjeira
PhD em Psiquiatria pela Universidade de Londres Departamento Psiquiatria-
Escola Paulista de Medicina Universidade Federal de São Paulo

A cidade de Brasília recebeu de 8 a 10 de novembro de 1995 cerca de cinquenta profissionais, vindos de vários estados brasileiros e vários países europeus, sob o patrocínio da Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e do Ministério da Saúde (Secretaria Nacional da Vigilância Sanitária) para discutir o uso racional de medicamentos psicotrópicos. Este tipo de reunião diferiu bastante do protótipo das reuniões organizadas pela OMS/OPAS, pois não houve participação exclusiva de especialistas da área médica para discutir critérios de prescrição de medicamentos. A OMS/OPAS vem adotando um modelo de reunião, já utilizado em vários países, onde são convidados vários setores da comunidade como a imprensa, advogados, industria farmaceutica, farmaceuticos, representantes comunitários para discutir um assunto de interesse comum e tendo em vista amplificar ao máximo as conclusões e recomendações finais.
O uso racional de medicamentos psicotrópicos já há muito ultrapassou a área de especialidade dos psiquiatras e se transformou num problema de saúde pública. Tem sido constatato por inúmeras pesquisas as enormes distorções nas precrições dos diferentes psicotrópicos feitas pelas mais diferentes especialidades médicas. Por um lado, no caso das anfetaminas, que são usadas pelas clínicas de emagrecimento, o Brasil é o país que importa 60% de toda a produção mundial de fenproporex, e importamos somente em 1992 23 toneladas de anfetaminas para consumo interno. Por outro lado, importamos muito menos opiáceos do que é recomendado pelo International Narcotic Control Board, o que significa que muitos pacientes ficam sem a devida precrição de analgésicos em momentos importantes de suas vidas como na fase de câncer terminal. Esses dois exemplos apontam para polos opostos da irracionalidade que ocorre no processo de prescrições desses medicamentos. Os benzodiazepínicos, que são as drogas psicotrópicas mais prescritas no Brasil, também é um exemplo típico de uma droga onde existe muito pouco critério no seu uso.

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