Orientações e dilemas éticos ante o médico com transtorno mental

Quinta, 28 Novembro 2013 18:33

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Orientações e dilemas éticos ante o médico com transtorno mental

Hamer Alves, Ronaldo Laranjeira e Luiz Antônio Nogueira-Martins.

Abordar o tema do médico com transtorno mental, dependência química e burnout (Síndrome do Esgotamento Profissional) é um assunto, ao mesmo tempo, delicado e imperativo. Procuraremos traçar algumas orientações gerais, porém sem a pretensão de abarcar a ampla miríade de situações e dilemas éticos que perpassam o tema do médico enfermo.
As observações, diretrizes e conclusões aqui estabelecidas embasam-se em: (1) A observação sociológica dos médicos através da revisão da literatura médica disponível e (2) A descrição da experiência acumulada durante quatro anos junto ao programa de atendimento a médicos (Rede de Apoio a Médicos), criado em 2002, fruto de um convênio entre o Centro de Estudos do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (EPM/UNIFESP) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. Trata-se de um programa de atendimento e orientação voltado para médicos, visando o rápido acolhimento e proteção deste e do público.
Perfil sócio-ocupacional do médico e fatores de risco psicossociais
No Brasil, 75% dos médicos têm idade inferior a 45 anos, 50% têm entre três e quatro atividades e 50% trabalham em plantões. A extensão da jornada de trabalho é notável: 46% dos médicos trabalham mais de 50 horas semanais, provavelmente como
mecanismo de compensação para perdas salariais e para substituição da ocupação autônoma. Os médicos trabalham mais que a maioria das pessoas — 15 horas por semana a mais que outros profissionais — e tiram menos tempo de férias — quatro semanas/ano versus oito semanas/ano de outros profissionais (Machado MH, 1997).

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