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Rede de Apoio a Médicos Dependentes Químicos: Primeiro Ano de Experiência. "Viver é o ato contínuo de retalhar-se e remendar-se".

Terça, 17 Dezembro 2013 15:09

Acesse: Rede de apoio a medicos dependentes Jornal 1604 - CRM.pdf

Rede de Apoio a Médicos Dependentes Químicos: Primeiro Ano de Experiência.
"Viver é o ato contínuo de retalhar-se e remendar-se".


(Do médico Guimarães Rosa)


Neste dia 6 de maio a Rede de Apoio a Médicos Dependentes Químicos completa seu primeiro ano de funcionamento. Este projeto, pioneiro no Brasil, surgiu da necessidade de abordar de forma consciente e madura o problema do uso nocivo e dependência de álcool e drogas, sem empurrá-lo para debaixo do tapete ou deixar que a sorte cuide daqueles que dele sofrerem.
A iniciativa – resultado de Convênio entre o CREMESP e a Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Escola Paulista de Medicina (UNIAD – EPM/UNIFESP) – tem como objetivo facilitar o acesso ao tratamento, preservar o médico em seu direito de exercício da profissão e, ao mesmo tempo, preservar a saúde da população assistida.
Sabemos que esta área do conhecimento médico ainda é vítima de muito preconceito e desinformação, o que leva a atraso no diagnóstico com conseqüente piora da evolução do caso.
Um dos equívocos freqüentes – e mais deletérios – é o de se pensar que só quem tem uma dependência já instalada ou grave é que pode ser atingido pelas conseqüências do uso de álcool e drogas: acidentes automobilísticos, overdose, exposição a situações de risco (brigas, discussões familiares, sexo inseguro, ressacas, problemas no trabalho, absenteísmo), podem ocorrer mesmo no uso ocasional.
Outro mito é o de que quando o indivíduo tiver alguma conseqüência negativa irá parar espontaneamente: de fato, com o progredir da dependência, a percepção do problema pode ser negada ou minimizada (as defesas psicológicas podem se arraigar de forma patológica), o que somado à necessidade biológica – resultante do fenômeno de neuroadaptação frente à exposição crônica à droga – pode dificultar a mudança de atitude. Cabe aos familiares, colegas e terapeutas abrir a possibilidade de diálogo claro sobre o assunto, propiciando assim uma janela para mudança.
A formação médica é insuficiente: as escolas preocupam-se, no mais das vezes, com a abordagem das complicações físicas do uso problemático de substâncias, o que deixa o profissional de mãos atadas para o tratamento da dependência em si.
A dependência, por se tratar de fenômeno biopsicossocial e complexo, exige, para o tratamento, uma visão multidimensional do terapeuta ou da equipe responsável pelo caso: não há receita de bolo que se aplique a todos os indivíduos. Alguns precisam ser internados, outros precisam justamente de afastamento temporário do hospital. Na maioria das vezes o tratamento é ambulatorial; o uso de medicamentos bem como terapias psicológicas focais são armas de grande valia.

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RELATÓRIO FINAL - II LENAD

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Resultados do II LENAD

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