COCAÍNA/CRACK

Celina Pereira e Neliana Figlie.

Produção
A planta da coca é originária da América do Sul e cultivada em diversos países andinos. A cocaína é extraída das folhas da planta Eritroxilon coca em duas fases. Primeiro, as folhas são prensadas com ácido sulfúrico, querosene ou gasolina, formando a pasta de coca, a qual, por sua vez, contém até 90% de sulfato de cocaína. Em seguida, a pasta é tratada com ácido clorídrico, formando o cloridrato de cocaína em forma de pó branco. Por volta de 100 Kg de folha seca dá origem a 100 g de pasta de coca e 800 g do respectivo cloridrato.

A pasta de coca é um produto grosseiro e pode ser fumado em cigarros chamados "basukos". O "Crack" ou "Rock" é obtido a partir da mistura e aquecimento da pasta base de coca e da própria cocaína com bicarbonato de sódio, resultando no preparado sólido que é posteriormente quebrado para ser fumado. Na forma de base, a merla (mela, mel ou melado) preparada de forma diferente do crack, também é fumada.

Existem outras preparações de cocaína, como "iceberg" e "snort" (com benzocaína ou procaína), "cocaine snuff" e "incense" (com cafeína) e "zoom" (com outros estimulantes).

Tanto o sal como a cocaína básica é adulterada pela mistura de várias substâncias, sendo, assim, a "droga de rua" composta. Os adulterantes mais comuns da cocaína são: açucares, procaína, cafeína, pó de mármore, talco, anestésicos locais, e sais de baixo custo, como bicarbonato de sódio e sulfato de magnésio e os teores de cocaína podem variar entre 15 a 90%. O crack apresenta bicarbonato como adulterante mais comum, e os teores de cocaína nesta forma variam de 35 a 99%, dependendo do processo de obtenção. Por isso é impossível determinar a dose segura de cocaína ou crack.

História

  • Anestésico (100 anos)
  • Restrições legais só no começo do século
  • Curiosidade: Antes de se conhecer e de se isolar cocaína da planta, ela era muito usada sob a forma de chá. Ainda hoje este chá é muito comum em certos países como Peru e Bolívia e no Peru ele é permitido por lei. No entanto, sob a forma de chá, pouca cocaína é extraída das folhas. Por outro lado, a ingestão do chá de coca possibilita pouca absorção pelos intestinos Em outras palavras quando a planta é ingerida sob a forma de chá, muito pouca cocaína chega ao cérebro.

Nomes comuns
pó, brilho, branquinha, carreira, papel

Formas de uso

  • Cocaína inalada ou injetada
  • Crack fumado
  • Merla fumada

Principais diferenças entre as vias

  • Cheirada efeito em 30 minutos com duração de 1h/1h:30
  • Injetável efeito em 30/45 segundos com duração de 20 minutos
  • Fumada efeito em 8/10 segundos com duração de 20 minutos

Efeitos agudos

  • Inicialmente intenso bem estar, euforia, aumento da auto-confiança e sociabilidade
  • Aumento de disposição e insônia posterior
  • Diminuição do apetite
  • Coriza
  • Aumento dos batimentos cardíacos, arritmia, aumento da pressão arterial
  • Após os primeiros minutos: agitação e ansiedade
  • Depressão ou medo

O que acontece quando a pessoa pára de usar cocaína ou crack?

Fase 1 1 a 3 dias
  • Depressão, ansiedade, falta de prazer, irritabilidade, fissura
Fase 2 1 a 10 semanas
  • Sintomas persistem; desejo aumenta; risco de recaída
Fase 3 meses
  • Fissura atenua mas a depressão persiste

Efeitos do uso crônico ou prolongado

  • Dores de cabeça
  • Depressão
  • Paranóia
  • Psicose
  • Complicações cardíacas e respiratórias
  • Rinite e sinusite
  • Problemas na pele e doenças infecciosas
  • Perda de peso
  • Danos cerebrais

O crack e a merla podem produzir aumento das pupilas (midríase), afetando a visão ("visão borrada"). Ele pode também provocar dores no peito, contrações musculares, convulsões e até coma. Mas é sobre o sistema cardiovascular que os efeitos são mais intensos. A pressão arterial pode subir e a pessoa pode ter taquicardia. Em casos extremos pode acontecer parada cardíaca. A morte também pode ocorrer devido a parada respiratória. O uso crônico da cocaína pode levar a uma degeneração irreversível dos músculos esqueléticos. É importante salientar o risco de contaminação de HIV, infecções na pele, no sangue, no coração, nos pulmões e hepatite devido à troca de seringas pelo uso da cocaína injetável.

 

voltar