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Não há pais cujo filho usa droga que não tenham ouvido dele promessas absolutamente convincentes de que nunca mais usaria droga. Não há esposa de dependente que não tenha ouvido desculpas e promessas que não puderam ser cumpridas! Por
que? Este conflito não é difícil de entender: A droga é uma substância química que atua no Sistema de Recompensa Cerebral (área relacionada ao prazer) e provoca, dependendo da droga, um pico de prazer intenso e passageiro. O problema reside no fato de que ao mesmo tempo ela causa desprazer. Alguns usuários de cocaína, por exemplo, sentem-se acuados, amedrontados, com sensação de que a polícia está por vir ou que alguém pode chegar quando estão sob o efeito da droga. Alguns trancam janelas e colocam papel na fechadura. Mas há também o momento seguinte em que vem o mal estar físico acompanhado de angústia, culpa....Sem falar na fissura, que algumas vezes - e dependendo da droga-, é intensa e dela faz parte ou a ela se associam os sintomas da Síndrome de Abstinência. Emtão vem a procura, depois o alívio, o prazer, e a dor, e a vontade, e a sindrome de abstinencia e a procura, e o alívio, e o prazer. A dependecia então se instala, trazendo prazer e dor ao mesmo tempo. Segundo um pesquisador chamado Miller (2001) existem três tipos de conflitos de decisao: (1) decidir por um dentre dois caminhos igualmente bons. Se tivessemos mesmo que passar por um conflito e pudéssemos escolher, esse seria o melhor deles. É como ter que escolher entre passar as férias na praia ou no campo; (2) decidir por um dentre dois caminhos igualmente ruins. Este é estar entre a cruz e a espada; e (3) Decidir por um objeto que ao mesmo tempo atrai e repele. Este é o pior dos conflitos, porque ele tem uma capacidade de aprisionar a pessoa. É uma espécie de amor fatal: "Não posso viver com isso, não posso viver sem isso". Este é o conflito do usuário de droga. Como posso deixar algo que me causa prazer? Como posso me manter com algo que traz desprazer? Geralmente o usuário tem uma visão fragmentada das consequências. Ora vê o lado bom, ora vê o lado ruim, criando um efeito cognitivo (de pensamento e emoção) do tipo iô-iô. Ora quer, ora não quer. Ora usa, ora não usa. Para resolver este conflito é preciso, antes de qualquer coisa, juntar o bom e o ruim, numa espécie de balança levando em consideração os dois lados. E nunca esquecer disso. O bom e ruim convivem no mesmo objeto, e não possível separá-los. Em segundo lugar é preciso avaliar com cuidado cada um dos lados da balança e ver qual pesa mais. Só assim é possível tomar uma decisão: baseada no todo e não numa visão parcial. O usuário de droga, algumas vezes, é uma espécie de vendedor desonesto para si mesmo, porque no momento que vai usar ele coloca na balança as coisas boas. No dia seguinte colocará as ruins. Outro conflito comum no processo de decisão é para quem se deve parar? Obviamente, todo usuário de droga tem ao seu redor uma pinha de pessoas aconselhando-o a parar: são os pais, os avós, os filhos, a esposa, o marido, o médico, a psicológa, a tia e por aí vai.... O jovem perde de vista os motivos pelos quais ele deveria parar de usar. Não sabe mais o que é seu desjo e o que é desejo do outro. Se vai ser bom para si ou para o outro. Quando não temos clareza se o que fazemos está a nosso serviço tendemos a não fazer ou a odiar fazer. Além disso, se alguém nos ordena uma coisa o tempo todo, a tendência é nos irritarmos e desobedecermos à ordem. Se o jovem não tem claro para si os motivos pelos quais deve parar nem a serviço de quem estará a sua abstinência, ele tende à ambivalência (quer e não quer ao mesmo tempo). Como lidar com essa situaçao? Quando se chega a este ponto de conflito, a melhor coisa é procurar tratamento. O bom terapeuta (seja psiquiatra, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional entre outros) não vai tomar uma decisão pelo jovem e nem ordenar abstinência. Ele vai ajudar a clarear os motivos que levam o jovem ao uso; ajuda-lo a pensar como seria a vida dele sem droga; como seria com droga; e a serviço de quem estará a abstinência! O bom terapeuta, ao invés de dizer que caminho seguir, dará alternativas, ajudará na remoção das barreiras que impedem a abstinência, definirá, em parceria com o jovem, uma meta e dará dicas de como alcançá-la. Estes mesmos conceitos - que estão escritos no livro Entrevista Motivacional, cujo autor é o Miller - podem ser aplicados a todos que cercam o jovem. É possível acolher sem compactuar com o uso. É possível ajudá-lo a decidir ao invés de decidir por ele. O tratamento é exatamente isso: não é uma imposição pura e simples, nem é uma postura ingênua que compactue com o uso de droga. Referência
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